O apanhador no campo de centeio


            "Then, just to show you how crazy I am, when we were coming out of this big clinch, I told her I loved her and all. It was a lie, of course, but the thing is, I meant it when I said it. I'm crazy. I swear to God I am.

            'Oh, darling, I love you too,' she said. Then, right in the same damn breath, she said, 'Promise me you'll let your hair grow. Crew cuts are getting corny. And your hair's so lovely.'

            Lovely my ass."


Dia(s) da mulher


            O oitavo de março é o dia em que se “comemora a mulher”. Dispensável é contar toda a história da significância da data, já que todos sabemos das lutas históricas de grupos feministas, das atrocidades contra protestantes e toda a degradação em geral contra o sexo feminino. Ou será mesmo tão dispensável assim?
            A verdade é que, como quase todas as outras coisas nesse vasto mundo, o Dia da mulher adquiriu um significado muito diferente daquele inspirado pela militância em favor da igualdade sexual. Aquilo que deveria ser uma lembrança de que a luta continua agora é show de declarações infantis de admiração às mulheres. E é importante dizer: uma admiração carregada de machismo, pois as características exaltadas nada têm a ver com uma igualdade de competências entre os sexos. Beleza, sensibilidade, maternidade... por aí segue a lista dos atributos que, segundo os mais qualificados praticantes do bom “Feliz dia da mulher”, são os merecedores de destaque em qualquer mulher.
            Na minha parca compreensão dos problemas do mundo, isso está muito longe daquilo que precisamos. Porque precisamos desesperadamente, sim, de consciência, de capacidade de admitir erros, enfim, de honestidade. E não são uma rosa e uma caixa de chocolates por ano a recompensa por uma vida de discriminação e desigualdade. Prefiro nem chamar de recompensas: são restituições. Como diria o poeta nordestino, “Se não fosse a mulher mimosa flor, a história seria mentirosa”.


            PS. Depois de muitos dias fora do ar, voltei. Se ainda gosta disso aqui e acha que seria legal que continuássemos, demonstre! Curta, comente, compartilhe. Não é vaidade, só não queremos ficar naquela de ‘escrever’ pras paredes.

Uma vírgula

     Ultimamente fui atropelado por uma espécie de sensação de "só sei que nada sei", que como muitas sensações é difícil descrever, e mesmo quando descrevemos parece um conceito vazio. Sinto-me como se tentasse descrever o gosto da carne de um animal exótico para vocês, mas já sabendo desde antes de abrir a boca que não conseguirei. Como descrever isto? Acho que ninguém sabe ao certo, e por isto as pessoas, ao meu ver, de forma cômica, sempre descrevem este tipo de carne como "parece frango". Obviamente chester, jacarés, cobras e muitos outros animais não tem gosto de galinha, e é bem provável que o gosto que eu sinto não é exatamente igual ao gosto você sentiria ao comer a mesma coisa.
     É por isto, por esta falta de palavras que venho sido acometido, peço só que compreendam, não que a entendam no seu âmago, pois senão estariam na mesma situação desoladora que eu, a qual ainda não sei dizer se é algo bom ou ruim. Compreendam só que precisarei de um tempo.
     Não sei o que a mulheres, no status de 'namoradas', querem dizer com a expressão "dar um tempo", mas quero esclarecer que eu o estou usando no sentido de que não escreverei por ora, mas pretendo voltar, com minha certeza, o mais breve possível, no máximo até Abril deste ano.
     Não sei sobre os demais membros, se pararão, se entraremos todos em recesso por um tempo e/ou se voltarão/emos. Posso só prometer por mim. Aliais, a declaração do Ian ontem foi uma surpresa para mim, não por completa, pois aparentemente todos nós entramos numa espécie de "calmaria" ao mesmo tempo — acho que uma saturação, um cansaço e correria, e quem sabe, num certo ponto, até uma falta de inspiração e criatividade.
     Não sei se estou conseguindo ser claro, mas me despeço aqui. Agradeço a contribuição e participativa de todos, principalmente a de meus colegas e amigos Ian, Kaito, Lília e Marco Aurélio. Volto em breve (espero que já com o computador consertado, e quem sabe até com um computador melhor em mãos, apesar de pouco provável...).



P.S.:     Estou dando um tempo nos textos mas podemos ainda confabular, basta me procurar nas redes sociais ou deixar comentários no blog mesmo (eu ainda estarei recebendo por e-mail todos os comentários do blog).

     Um abraço à todos!  e bom ano para você.

Derradeiro (ou Interstício)


                Eventualmente as forças se esvaem, ou a motivação; ou, em alguns casos, o que há são apenas ligeiras adversidades que resultam em um solapar dos esforços. Mas não trago justificativas, apenas uma explicação: Cesso de redigir nestas páginas por tempo indeterminado.
                Ocorre que, de algum tempo até agora, mostra-se um desânimo geral neste blog. Tanto por parte de nós redatores, que passamos a falhar as agendas quase que sistematicamente, quanto de vocês leitores, que reduziram os comentários e os acessos. Como eu disse, não venho dar justificativas nem me lamentar de nada, apenas dar algumas explicações.
                Tive aqui uma experiência única, que me ajudou muito e da qual levo resultados; mas por hora é tempo de pousar a caneta (neste blog).
                Agradeço a todos que acessaram o blog e que se dispuseram a ler os textos, ler-nos; os acessos e comentários me ajudaram muito, me deram coragem para redigir, me deram vontade, e também me auxiliaram na correção de algumas imperfeições.
                Agradeço a meus amigos de blog: Lília, Marco, Kaito e Alisson; não existem melhores.
                Começamos este blog sem pretensões homéricas, queríamos apenas escrever; e isto fizemos, e não foi pouco; se agora ocorreu do fôlego não ser mais aquele, não há culpa, há apenas o fato, que me parece infeliz, mas nada posso fazer que não resignar-me.
                Espero poder escrever mais.
                PS: Este texto é uma declaração MINHA, não falo por nenhum dos outros integrantes, que podem eventualmente levar adiante o Machado.
                Adeus, foi tudo muito bom. (ou até logo)

Luci, a menina com olhos de caleidoscópio


É um menino muito levado, meio anjo, meio alado, que não voa pelo mesmo motivo daquele sapo que não lava o pé: porque não quer. 

Manifesto primário ao pensamento do transporte público


                Estou, enfim, com dezoito anos de idade; recém-completos e muito bem vividos, como diria meu pai. E como de praxe, em tal idade, empenhei-me na formação como condutor para adquirir minha CNH (Carteira Nacional de Habilitação). Enquanto ainda novo, pensava em tal momento como algo mister, glorioso até, da dita e famigerada maioridade. Ocorre que a reflexão muda consoante o cerne envelhece, e devo dizer que, hoje, minha ânsia por dirigir se restringe a pouquíssimas e pontuais ocasiões, como viagens de estrada ou sinônimos muito próximos. Fora isso, hoje, clamo desesperado por um serviço público de transporte que atenda com dignidade, por deus!
                Devem alguns mais imediatistas e individualistas estarem me lendo atravessado neste momento. “mas como assim, eu quero é meu carro com som e ar condicionado...”. Não é que eu também não o queira, óbvio que quero, estou em acordo com vocês neste ponto; o que se me ocorre nesta reflexão é a real necessidade do carro às atividades cotidianas, como dirigir-se ao trabalho ou à faculdade.
                Para margem apreciativa do argumento, valho-me de mim mesmo para exemplificar: Hoje, tenho aproximadamente duas horas de ônibus no trajeto de volta à minha casa. Suponhamos que de carro este tempo fosse de uma hora e vinte minutos, por exemplo. São quarenta minutos a menos de percurso, o que reflete, naturalmente, no seu horário de chegada em casa e, por consequência, no seu descanso, que, eventualmente, seria maior. Mas a base argumentativa está no aproveitamento deste tempo. Enquanto estou no ônibus, volto, quase unanimemente, lendo algum livro ou conteúdo de curso. Ou seja, são duas horas que aproveito na aquisição de algum conhecimento ou na apreciação de algum entretenimento. Duas horas que acho deveras mais vantajosas que as uma hora e vinte minutos que teria de me dispor a encarar em um trânsito infernal que se mostra este da minha cidade. Uma hora e vinte de constante tensão e estresse, de semáforos e congestionamentos, de buzinas e saturação visual; uma hora e vinte que só me acrescentariam no que se refere à precoce aquisição de fios brancos na cabeça.
                Uns dirão “mas Ian, no horário que eu pego o ônibus ele está tão cheio que nem daria para eu vir lendo”. Concordo contigo, leitor; contudo, é por isso que proponho tal texto:
                Estou com ideia de, ao início deste ano que entra, conceber um grupo de estudos e formulações acerca do transporte público na nossa cidade, de modo a maximizar os benefícios e erradicar, ou, se não possível tal, minimizar os problemas que acometem  o nosso serviço público de transporte; de modo que o carro torne-se cada vez mais dispensável.
                Mas a retórica não para ai:
                Pensa consigo, leitor. A lei seca ai está, mas o grande atrativo das baladas, bares e shows, também permanece; já conjecturou sobre o quão bom seria um serviço público de transporte atrativo, para que você não incorresse no risco de uma blitz policial, ou no absurdo que é o tributo ao taxi? E quanto há taxi. Pois é, as vantagens são incontáveis.
                Há ainda outros inúmeros fatores, como o custo atrativo do transporte público vis-à-vis uma condução particular, a mínima participação em acidentes de trânsito, e até mesmo uma diminuta caminhada do ponto de ônibus ao destino absoluto; vantagem esta que pode fazer torcer os narizes de alguns, mas pensa consigo nas vantagens salutares de tal proposição ao corpo.