Ninguém sabe exatamente o que tem por trás daquele sistema de abertura das latas de coca-cola. Ninguém! Às vezes ele simplesmente falha e você se pergunta por quê?, mas a pergunta não vai bem aí, já que está na cara. As latas não se abrem às vezes porque elas são perversas e maquiavélicas, elas preveem um futuro turvo e dão um empurrãozinho. Foi no exato momento em que aquele anelzinho da lata quebrou antes de empurrar aquela parte que se abre pra baixo, fazendo com que a coca (zero ou normal, não lembro) se tornasse inalcançável, que tudo começou.
E muitas coisas vieram depois disso.
Porque algumas mesas permitem que duas pessoas sentem-se lado a lado e, intencionalmente ou não, toquem-se. Debaixo delas corpos se enroscam, mesmo que por poucos minutos e sem conforto algum. Mas, no universo que duas pessoas criam com as suas pernas e mãos debaixo da mesa, há um brilho e um calor que a natureza vê com bons olhos.
As borboletas têm dois pares de asas membranosas cobertas de escamas, que apresentam formas e cores variadas, além de peças bucais adaptadas à sucção. E, nas improbabilidades da entropia universal desde os remotíssimos tempos do big bang, calhou de uma dessas mostrar-se amarela, como os raios do sol que sempre vêm, inevitavelmente vêm, felizmente vêm: tomara que venham. O engraçado é que o nome científico desse tipo de borboleta é Phoebis! Ela podia ser mais pop? Mas não sei se é certo ver tantas delas e por tanto tempo...
Sabe, tem filmes que a gente jura de pés juntos que jamais vai pagar pra ver no cinema e ainda se compromete a semear um torrent por décadas só pra avacalhar. Um desses era a tal história de vida do nosso ex-presidente Lula. Quem, em sã consciência, passou uma tarde agradável assistindo a algo assim? Quem? Eu.
Mas também tem quem ouça Beatles sem compromisso algum, só pra ser descolado, ou só pra curtir mesmo. Eu sei que eu não. Eles são muito pesados e eles têm mensagens subliminares. Já experimentou ouvir Baby, it’s you quinze vezes seguidas? Mas, de qualquer forma, a culpa não é deles, é minha.
Nada muito importante? Não sei pra quem isso é nada muito importante. Eu sei também que importância é aquilo que a gente dá pras coisas que não quer que vão embora. Por isso, é importante sim.
Quando o amor vira despeito
O que fazer? A pessoa que você diz gostar não lhe
quer. Ela não te quis, e o que antes parecia amor, agora você remoe nas
entranhas como o mais genuíno despeito. Não, você não quer admitir, mas é, no
íntimo você sabe que é. Eis ai o perigo, ficar remoendo e remoendo os porquês.
Porquê ela não te quis? Porquê ela não enxergou o amor que você sentia por ela?
Porquê ela foi tão insensível? Como disse Machado; não o de Eugênio, o de
Assis; o amor é mais uma questão de condições do que de pessoas. Não havia nada
de errado com você, tão pouco com ela, simplesmente não aconteceu. Talvez
porque naquele dia você tenha sido carinhoso demais quando ela só queria curtir
o momento, talvez porque ela tenha tido problemas que não margearam em você a
solução... enfim, toca a vida que, se não, daqui a pouco acaba-se o momento e
você ainda está a remoer a velha dor, que já nem sabe mais porque sente nem
porque ainda a remoe tanto, mas tem que remoer, tornou-se sua rotina, tornou-se
seu propósito tentar entender porque não deu certo. Talvez porque, no fundo,
você pense que pode fazer algo a respeito, quando na verdade não pode. A
carruagem seguiu viajem. A magoa pode até ficar por um tempo, é verdade, mas
nada que o tempo não sare.
Por quê? Porquê é tão difícil para ti deixar o barco
seguir? Porque, dia após dia, ainda senta-se a pensar nesse assunto a muito
acabado? Porquê? Se tantas ai fora te querem, se tanto já passou, se já és
homem grande o bastante para saber que castelos construídos no ar não são
feitos para se morar dentro. Talvez seja porque você tenha encontrado nela um
porto para um momento difícil da sua vida, ou talvez simplesmente porque a
amava genuinamente; pode ocorrer, por mais improvável; mas sábio foi o vovô que
disse: “quando um não quer, dois não brigam.” E ela não quis “brigar” com você,
caro amigo. Ela já deve estar com outro, deve estar seguindo em frente, e você
ai, com essa cara de mamão, roendo as unhas e se pondo inconformado.
E hoje, como você se está se sentido? Sim, eu sei,
triste. Poxa, caro amigo, vamos, levanta-te e anda, como disse Jésus; larga mão
desta obsessão, sim, obsessão, nada mais que isso. Esquece esse tropeço e
peregrina. Peregrina até achar alguém que lhe faça esquecer que um dia ela
existiu. É assim que funciona, acha-se alguém que te ajuda a esquecer o erro
anterior até que esta pessoa se torne o “erro” e ai peregrina de novo. É mal do
Homem caminhar errante eternamente. O kA é uma roda, já dizia Roland.
Por hoje chega, cansei de ouvir essa ladainha sua.
Até mais... não, sem essa de “amo-a”. ELA NÃO TE AMA! NÃO ENTENDES-TE ISSO
AINDA? Carajo! Ainda há de virar um velho, um velho arrependido, arrependido
por ter perdido tanto tempo esperando o improvável, esperando por uma volta que
não viria, esperando por um reconhecimento que jamais deu sinais de existência,
esperando por um olhar dela que jamais teria. Chega disso, vamos que te pago
uma bebida. Sim, Whisky, talvez até conheçamos outras raparigas, que tal? Sim,
raparigas, não por serem promíscuas, é só o nome original para garotas.
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Ps: Em virtude do vestibular ocorrido na última segunda, pós-zumbis sai em edição mais que espexial no sábado.
Sociedade contemporânea: gêneros em complementação e/ou em competição?
http://www.vestibular.ufg.br/2011/ps2012_1/gabarito_2aEtapa.php
Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
Sol doira
Sem literatura
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como o tempo não tem pressa...
Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.
Quanto é melhor, quanto há bruma,
Esperar por D.Sebastião,
Quer venha ou não!
Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.
Mais que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...
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Finalmente Férias!
Como eu precisava desta palavinha de 6 letras...
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LiberdadeAi que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
Sol doira
Sem literatura
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como o tempo não tem pressa...
Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.
Quanto é melhor, quanto há bruma,
Esperar por D.Sebastião,
Quer venha ou não!
Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.
Mais que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...
Fernando Pessoa
O último dia do tempo
não é o último dia
de tudo.
Fica sempre uma
franja de vida
onde
se sentam dois homens.
(Drummond
de Andrade)
Um ano inteiro passou, só mais
um além dos dois mil e poucos desde que Jesus nasceu. Mas esse não foi exatamente só mais um; ele
foi o fim de muita coisa, coisas boas e ruins, coisas importantes. O fim, uma
palavra que carrega tanto ânimo, decepção, vitória, saudade, alívio, e não
importa o quanto digam que esse é na verdade o começo de algo melhor, nunca vai
deixar de ser o fim.
Nesse ano, eu e o resto dos
membros do Machado de Eugênio (em peso) terminamos o ensino médio. Foi uma
jornada gigante. Foi como carregar O anel de Bolsão até a Montanha da Perdição.
Foi difícil e, acima de tudo, acho que foi cheio de sensações conflituosas para
cada um de nós: nunca senti tanta preguiça e ao mesmo tempo ânimo de ir a algum
lugar como a escola.
Fiz bons amigos durante esse
tempo, a maioria deles está aqui mesmo no blog, e espero que esses posts
semanais que criam teias de aranha no esquecimento sirvam como conexão entre
esse passado e o que vem aí. Mas quem pode saber se o tempo, aquele vermezinho
que se arrasta incansavelmente, não vai jogar cada um para um canto, como se
fosse uma daquelas ondas bidimensionais que aparecem quando uma pedrinha
mergulha na água?
Eu não faço a mínima ideia. Mas
a única coisa que se pode fazer repetidamente é tentar não esquecer. E o
primeiro passo para isso é lembrar. E lembrar é tão mais fácil com estímulos:
imagens, cheiros, sons, algo como urina que sai das glândulas sudoríparas dos
olhos...
Vou sentir muita falta. Talvez
só até o momento em que minha cabeça se encha com coisas novas, mas isso não
quer dizer que tudo foi irrelevante. Só que o mundo seguiu adiante, e, se não
seguisse, só haveria um monte de velhinhos fumando e contando as suas memórias.
Vou sentir falta de almoçar quase todos os dias com ignóbeis e indesejáveis
sujeitos e até de ser assaltado com eles. Vou sentir falta das histórias e das
frustradas brincadeiras de falar sem parar do Kaito; dos solilóquios do André;
das conversas fiadas do Pamonhão; dos destemperos do Gnu; da companhia do
Assunção; dos beiços do Filete; das piadas do Giu; e até dos outros, em outros
níveis.
Mas, enfim, nós crescemos e
estamos cada vez mais prontos para morrer.
Eu espero que todos tenhamos
sucesso e que também encontremos razões e ocasiões para nos reunirmos de vez em
quando. Porque nós sonhamos fugir, sonhamos aterrorizar Caldas Novas na Hilux
do Assunção, sonhamos ser músicos e escritores, sonhamos morrer a obrigação e
nunca nascer a distância. Sonhamos: verbo que nunca deixa de estar no presente,
mesmo quando está no passado.
Tens no pescoço o que desce ao coração
Clique para ampliar
Uma coceira no pescoço deu num pouco de sangue. Cocei e cocei o pescoço, sangrou mais um bocadinho. Enquanto ria, coçava. Enquanto lia, coçava. Ia ao mercado, ia ao prédio do Estado, ao estádio, à estrada curva, mas estável, à sala de estar, de status, e continuava coçando o pescoço. Um traço de sangue por vezes escorria pelos degraus de minhas costas que era a coluna vertebral. E tinha também vestígio vermelho em minhas unhas. Perguntaram-me, certa vez:
“O que é isso?”
Disse que era machucado qualquer, coisa de pernilongo faminto, de esbarrão, torcicolo.
“O que é isso, moleque? Responde duma vez!”
“Parece cocaína, mas é só tristeza.”
“Falo do que tens no pescoço, não desta cara triste que carregas.”
“É molho de tomate. É pasta avermelhada. Estamos no dia das bruxas, sabia?”
“Tu não me enganas, isto aí é amor. Só amor é assim sangrento, moleque, e desce ao coração nesta nódoa que mancha tua camisa.”
Seria o amor apenas parte do plano?
Uma das mais belas trilhas que já ouvi na minha vida. Dê o play e comece a ler.
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Nós,
seres humanos, somos dotados da mais alta arrogância, o Complexo de Deus. E, em
virtude deste restriçor visual, nos achamos acima de tudo, inclusive até da
nossa essência mais básica, a de que somos animais. Nós achamos que, com o
tempo, por termos dominado a natureza, deixamos de fazer parte dela, o que é
uma pobre ilusão para confortar os afoitos. Nós ainda estamos invariavelmente
ligados aos nossos instintos naturais. Por isso a pergunta que nosso título
propõe. Seria o amor apenas parte do plano?
Temos um conceito muito romântico das
emoções, aquele conceito abstrato que remete à alma, ao espírito, ao imaterial.
Quando na verdade (e ai os biólogos me corrijam nos comentários se eu estiver
errado) elas se restringem, fisiologicamente falando, a reações químicas que
ocorrem em nosso corpo provocando diferentes estímulos.
Existe
uma convenção mútua de não se falar muito sobre a essência das coisas, talvez
porque isso desiluda alguns e ofenda outros, mas a verdade é que “o mundo é simples”.
Não estou impossibilitando a existência de um ‘quê’ de misticismo, estou apenas
me apegando a fatores científicos, o que não quer dizer que eu não acredite na
existência dos alegóricos, estou apenas propondo a “pulga atrás da orelha”.
Seria o
amor apenas mais uma facilitação da transposição do código genético? Não seria
o amor apenas mais um artifício do nosso maquiavélico organismo tentando passar
sua configuração adiante? Não seriamos nós apenas um joguete daquilo que
dizemos ser uma das nossas grandes razões de viver? Existem aqueles que crêem
em almas gêmeas, almas destinadas ao inevitável engalfinhamento. Eu ainda não
estou certo se creio ou não nisso, mas Machado de Assis disse, em seu Livro
Memórias Póstumas de Brás Cubas, que a ocasião faz o casal, e começo a pensar
seriamente que talvez ele tenha razão. Talvez não existam almas gêmeas, talvez
seja uma questão circunstancial duas pessoas se apaixonarem. Não estou dizendo
que não temos controle sobre isso, de maneira alguma, mas deve-se lembrar que
ter controle é uma circunstância. E não o tê-lo também.
Porque
aquele homem? Porque aquela mulher? Ele talvez não seja um exemplo de beleza ou
ascendência social, ela também não é lá essas coisas. Se ela pudesse escolher,
independente da necessidade de consentimento da outra parte, ela o escolheria?
Se ela pudesse escolher um louro, esbelto, intelectual, rico; ela o escolheria?
Se ele pudesse escolher a mais cobiçada das modelos, dados os mesmo critérios,
ele a escolheria? Não diria que NÃO, mas as probabilidades provavelmente seriam
bem baixas, por isso chama-se CIRCUNSTÂNCIA. A ausência de beleza ou dote que o(a)
fizesse bom o bastante para sua cobiça não está ali, e na solidão não se
aguenta ficar, então calhou daquela(le) garota(o) sentada(o) bem ali, tomando
um Milk-shake, servir, pois dentre as
possibilidades possíveis, esta foi a que ele conseguiu. Então como aplicar toda
a poesia do Amor a este tipo de exemplo? Como se faz isso? “ó, o grande A-M-O-R”.
Bem, meu grande amigo Marco, ele me corrija se eu estiver distorcendo suas
palavras, crê que são necessários anos de convivência para se construir Amor,
para se saber de fato que aquilo é amor. Creio que ele esteja certo, talvez o
Amor, o Amor poético, não possa existir a primeira vista, porque a primeira
vista não é o amor que importa; talvez o que exista seja apenas o instinto. A
cruel libido, que lhe torce a vara e a usa como um leme, levando-lhe aonde ela
deseja. Somos todos escravos da libido. Ela nos deixa tão afoitos se não a
atendemos, nos deixa tão debilitados... e mesmo assim continuamos imunes aos
seus encantos.
Talvez
seja por isso que, com o tempo, o amor acabe, dando lugar, na velhice, ao
Respeito. Ao respeito, à menopausa, à andropausa e aos quartos separados. Ou
não.
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Ps: Tema para o texto inspirado em um trecho do fantástico filme Mr. Nobody.
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