Estou à espera
a espera de uma guerra
que mate, destrua e instale o caos em nossas vidas
de rebeliões, prisioneiros e censuras
que nos tire a liberdade e o sono, que nos incomode e perturbe nossas almas.
À espera de algo que nos deixe apreensivo pelas possibilidades mais mortais
pela bomba que pode cair a seu lado a qualquer instante
pelo veneno, radiação ou microrganismo que irá te corroer de dentro para fora.
Estou à espera de algo que salve esta geração que não precisa ser salva.
Estou à espera de que libertem esta sociedade livre.
Estou à espera do censo crítico ubíquo desta sociedade que tanto critica.
Estou à espera de alguém que clame e reclame por esta repetição sem fim, disto que é tudo tão igual e vazio e sem propósito.
À espera do fogo que deixa sua cinzas para trás para que possamos ressurgir revitalizados, estou.
E que a raiva e o ódio que se espalham em minhas veias inquietem-me e me acalmem,
e que os anos passem linearmente, enquanto andamos milhares e milhões de quilômetros sem sair do lugar
girando ao redor do sol, do centro da galáxia e de nós mesmos esperarei pacientemente em paz pelo caos...
Das considerações sobre o tempo
E o que te falta? Uns respondem dinheiro, outros
força, a outros falta um braço ou perna; a mim falta tempo. As infinitas
possibilidades, como até disse um tal de Bauman, talvez o maior infortúnio
humano é justamente tê-las, pois delas nunca poderemos desfrutar em plenitude.
Somos menos do que os nossos antepassados nos deixaram, tão menos que não mais
aquilo que foi deixado nos serve, mas nós vivemos em prol daquilo que foi
deixado, aquilo que estava já aqui muito antes de você, muito antes de mim.
Este texto tem como estopim sintetizador uma recente
atividade que tive de abandonar: a tentativa de algum espólio musical
relevante. Tive de abdicar das rotinas fixas de ensaios, dos compromissos de
pequenos shows em bares e até mesmo do estudo mais acurado da música, isto tudo
em prol da faculdade. Ainda musico por hobbie, de alguma maneira haveria de
continuar, mas sabe-se que a cicatriz aqui fica. Não estou aqui a choramingar,
fiz a escolha em plena ciência de minhas prioridades, e não falo aqui de
estabilidade financeira ou do quê virá a ser mais facilmente realizável, até
porque, se eu fosse por essa linha de raciocínio, minha escolha seria tudo,
menos teleológica. Fiz a escolha que fiz, em síntese, porque sempre quis
respostas, e a música não me forneceria elas. Tive de escolher entre me dedicar
plenamente aos afazeres acadêmicos ou a continuar dividido entre os vários
quereres.
E meu amor, a Lília, até questionou “mas Ian, você
não é demasiado novo para abdicar tão firmemente assim de algumas aspirações?”
e ela até pode estar certa, mas algumas escolhas na vida a gente tem de fazer,
e a música, por mais que se fale de sua efervescência na juventude, pode ser
retomada adiante, diferentemente do período acadêmico, este tenho de agarrar,
pois não volta.
A vontade, a urgência, a necessidade de tentar
entender; já escrevi sobre isso aqui mesmo, esta comichão que se nos põe a roer
dentro e não para até que nos sujeitemos a suas vontades. E pior ainda talvez
seja saber que, mesmo tendo todo tempo do mundo, não poderei tentar entender
nem um décimo daquilo tudo que tenho vontade. O que me conforta é tentar, mas
plenamente notificado da finitude de minhas capacidades.
O que me consola, e só consola, é a concepção de que,
se existe impressão que se deixa na terra, certamente não são filhos, tão pouco
bens, mas descobertas, feitos do cerne, trabalhos do intelecto... estes
perduram as gerações e os ciclos, e os dias, e os anos.
E então temos a certeza de que deixamos o caminho
andado.
CONSIDERAÇÕES DE ÚLTIMA HORA
Estar à beira
do abismo, mas não cair, nem ter coragem para pular de uma vez. Ficar à espera
de um vento inexistente, uma brisa que seja para te empurrar pra dentro e
acabar de vez com essa indecisão... Algo que tome as rédeas da situação e cuide
do seu fim, para te eximir um pouco a culpa.
Culpa essa que
lhe foi incutida logo na infância, quando lhe tiraram até mesmo o direito de
controlar sua própria vida , afinal acabar assim, colocar um ponto final na
droga da existência que Ele te deu com tanto amor não passa de uma covardia, um
ato que o levará direto para as masmorras flamejantes do inferno, caindo
diretinho no colo do nosso amiguinho lá de baixo.
Então você
fica nessa, se achando ao mesmo tempo corajoso; corajoso porque resiste, um
verdadeiro sobrevivente. Sobrevivente, era para ser uma bela palavra, mas indica
nesse contexto a condição lamentável em que você se encontra. Você honrosamente
escolheu, em vez de morrer e dar sossego a quem o cerca, SOBREVIVER. Apenas aguentar
enquanto tiver forças. Você não terá assim que arcar com uma possível punição
pelo único ato digno que poderia vir a ter em toda essa sua maldita vida, e
anula assim, pelo preço da escolha, ou melhor, de não escolher, de deixar que
escolham para você, qualquer chance de redenção perante a si mesmo, e seu
próprio julgamento de caráter, na esperança de uma redenção maior. Essa
redenção, o perdão, o suposto reconhecimento por ter feito tudo que pode,
quando na verdade, você não fez exatamente nada, apenas se sentou, parou no
tempo e esperou, e isso irá te atormentar para sempre. Se o sempre existir...
Mas o sempre
não existe, não existe para você; ou pelo menos é disso que você tenta se
convencer. Afinal, se passar por tudo isso agora para ter que viver eternamente
insistindo mais um pouco, batendo sem parar na mesma droga de tecla seria muito
castigo, literalmente alguém muito sádico estaria controlando tudo isso, e você
não consegue acreditar que o ser superior que te ensinaram a amar e respeitar
fosse capaz de tamanha brincadeira de mau gosto. Mas ao mesmo tempo, para ter
alguma confiança nesse ser e em sua capacidade de querer o bem você teria de
acreditar nele, o que o levaria diretamente a acreditar nas propostas de vida
eterna e perfeita ao lado d’ Ele. E se é esse exatamente o ponto em que nada
faz sentido e você espera sinceramente que nada disso exista realmente, não há,
então, o que temer. Pode pular sossegado e acabar com tudo. Supondo sempre que
seus desejos estejam certos e você não vá pra porra de lugar nenhum e tudo
acabe mesmo no exato instante que seu corpo tocar o fundo do abismo. Nesse
momento você para e começa a reconsiderar as possibilidades todas novamente.
Gaia, lixo, cheiro do ralo e extinção da raça humana
Consideremos o
argumento de que o homem só é capaz de alterar o que existe na natureza, e não
criar. Há verdade nisso, claro que há. Mas, em volumes astronômicos, os
produtos finais de toda essa epopeia (gases, plásticos quase indecomponíveis) são
coisas com as quais o nosso atual ambiente não está habituado; ou melhor, as
formas de vida modernas não são habituadas a tudo isso.
Em suma, estamos
transformando o ambiente em que vivemos. Ambiente esse que, até o presente
momento, é o único reconhecidamente (por nós mesmos, grande coisa) capaz de
permitir a existência de qualquer tipo de vida.
A natureza
segue em frente. Nós é que poderemos não estar aqui pra ver isso acontecer.
(Clique na imagem para vê-la em tamanho maior).
Vamos fazer um filme
“Foi num desses dias quando está quase nevando e tem essa eletricidade no ar, você quase pode ouvi-la, sabe? E esta sacola estava dançando para mim, como uma criancinha implorando para brincar comigo. Por quinze minutos. Foi neste dia que percebi que existia toda essa vida por trás das coisas, e essa incrível força benevolente que queria que eu soubesse que não existe razão para ter medo, nunca. O vídeo é uma desculpa pobre, eu sei. Mas me ajuda a lembrar... Eu preciso me lembrar... que, às vezes, tem tanta beleza no mundo que eu acho que não consigo aguentar, e meu coração parece que vai desmoronar."
Urbana Legio
Tolerância... ou não.
A cada vez que saio na rua começo imediatamente a olhar a
minha volta e enumerar os defeitos da humanidade. Falta de bom senso, em
qualquer aspecto da vida, me deixa enfurecida.
É a garota que ri alto dentro do ônibus, o casal que se
beija como se fossem devorar um ao outro, o guri sem os fones de ouvido que
insiste em compartilhar sua musica com todos.
São as garotas vestidas como se fossem para um baile funk, o
carro cujo dono deve ter descoberto
caixas de som recentemente e quer mostrar pra todos essa maravilha
tecnológica.
Pessoas que citam as bênçãos de Deus na sua vida no meio de
uma conversa descontraída, enfim, há na verdade algumas poucas coisas nas pessoas que não me fazem querer
mata-las.
Ranzinza, ouço muito esse adjetivo, e até concordo com ele, acho
que pessoas como eu devem sim, maneirar um pouco nas criticas para não acabarem
perdendo o senso crítico com relação a si mesmas, preocupadas apenas em analisar os demais. Sim, porque não
vamos confundir uma observação do comportamento das pessoas com um julgamento.
Nisso reside a diferença.
Acho que crucificar as pessoas mentalmente pelos seus atos e
defeitos já demonstra certa prepotência, querer consertar o mundo (embora eu
queira). Mas parar para observar, analisar para ter certeza de que não anda
fazendo as mesmas coisas por ai, acho que é extremamente saudável, respeitar as
atitudes e opiniões das pessoas é diferente de achar que tudo é normal e
válido, todo mundo fazer oque quer sem pensar no que isso pode afetar quem o
cerca parece muito confortável, ate o momento em que isso afete você.
Não acho que as pessoas devem ficar o tempo todo se
comedindo com medo de ofender alguém, de estressar alguém seja o ideal, mas
pensar mais em conjunto, ou simplesmente pensar, que é o que muita gente por ai
não faz antes de agir ou falar, simplesmente existem mergulhadas na sua própria
vidinha sem se ater ao fato de que vivemos todos em conjunto e temos que fazer o
melhor possível para que essa convivência, não seja tão desagradável.
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