Um dia de vinnycius - O preço da Consciência

Há certo tempo atrás, lancei na nossa comunidade do Orkut um desafio: Escrever um conto com o tema "Quem Sou Eu.". Confesso que mesmo tendo pleno entendimento da audiência deste blog, eu esperava um pouco mais de participações, mas well, não vim ficar me lamentando. Houveram alguns concorrentes, recebi alguns textos e todos extremamente bem escritos. Sirvo-lhes agora o que, em minha humilde opinião de merda de juiz, foi o Melhor.
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Gradualmente, pôde enxergar.
As coisas, no início, não tomavam forma, não tinham significado. Eram opacas e fúteis.
O desafio era se movimentar, andava tropeçando em tudo, caia e se machucava muito. E o pior é que nunca aprendia onde tinha as rugosidades maiores, sempre caia no mesmo lugar, lamentável.
Não se sabe o momento certo em que as coisas começaram a mudar, mas para sua sorte, tudo mudou.

Aquela barreira visual levantou junto com ele, mas para sua infelicidade, o mau hálito, os cabelos horríveis e desgrenhados, o sono e a cara amassada se foram depois de escovar e tomar um banho, mas o mesmo não ocorreu com sua costumeira limitação, teve, como sempre, que fazer tudo isso tateando devagar as coisas.
Saiu, e no caminho para onde iria, foi convidado para uma festa. Não sabe por que, mas se desviou do seu caminho original( na verdade nem ele sabia para onde ia) e aceitou o convite. Entrou no carro com os outros, e ajudado por uma pessoa que tinha um toque áspero, mas teve uma imensa impressão que se tratava de uma mulher, entrou no carro

Porqueira


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Porque as coisas sempre caem quando lutam com a gravidade. Porque as charadas que vinham primeiro no “o que é o que é” não lhe tiram mais gargalhadas. Porque o cachorro do vizinho está uivando desde segunda-feira, sem intermitências, e isso é verdade. Porque todas as causas vêm de uma reticência inicial e ninguém sabe onde começou. Porque não terá postscriptum nas deixas escritas na lápide do que falou demais enquanto vivo. Porque mesmo sendo incontáveis os grãos de pó a escapar pelo vão da ampulheta, há mol de tempo e tal se conta, sim. Porque em casa de crente existem santas ceias penduradas, mas nesta o rei dos judeus se caiu para cima quando reparou-se ao lado dos bandoleros de los campos verdes, Don Quijotes de nuestro desierto, como a música diz cantando. Porque nem o cara de caneta bic preta na mão a modelar o cachorrinho que se deita ali no colo da moça pintada a que por ti é assistida parar-se sonhando na cadeira de balanço, nem este cara sabia que podia fazer moto: se perguntar-te por que não batem as proporções do motoqueiro e sua motoca, saibas que a resposta não será que eu cá, inocente, faço isso pela primeira vez, mesmo sendo a primeira, fiz na intenção boa, vai tudo ser proporcional e reto, nada torto; mas já que este tronco torto saiu, foi porque as coisas sempre caem quando lutam com a gravidade. E é o que há no plano, coisas se desapegando da gravidade do mundo a que pertencem para que se tornem ímãs das geladeiras de outros mundos. E a razão do ato? É porque os amantes estão um pensando noutro, um na cabeça doutro, dentro dum devaneio assim: ai de mim se o mundo dela estivesse junto do meu. E porque eu não sofro disso e nunca sofri, fiz um desenho e ri.

Lost for words


                Às vezes não é simplesmente estranho olhar diretamente nos olhos de alguém durante uma conversa? É difícil e, por isso, seus olhos buscam refúgio em qualquer coisa ao redor. Não sei o que Freud disse ou teria a dizer a respeito, mas acho que ele diria que isso é só mais um complexo com um potencial nome grego e uma manifestação das nossas inibições sexuais. Talvez Marx dissesse que nós somos, desde pequenos, condicionados a evitar o contato visual porque, dessa forma, a intimidade seria erradicada e com ela a conspiração. Nietzsche diria, com toda a certeza, que prefere acreditar em globos oculares que dançam tango do que em contato visual.
                Mas já tentou encarar um cachorro? Ele não desviaria os olhos dos seus. Ele não tem complexas expressões faciais para esconder. Um cachorro vai olhar nos seus olhos e deixar que veja tudo o que tem ali dentro até que você se canse. Mas por quê? Porque cachorros não sabem falar. E, portanto, não abandonaram as mais primitivas formas de comunicação: a visão, o tato e o olfato.
                É muito mais fácil falar e falar do que ver. É mais fácil ouvir dando as costas do que dar asilo ao olhar de alguém dentro do seu próprio.
                Por isso o olhar de um cachorro é tão sincero, porque isso é tudo o que ele tem. Ele não sabe da mentira ou das figuras de linguagem. Ele vê e sente, vê e sente. E depois nós é que somos o que há de mais sofisticado e bem sucedido na natureza?
                E isso tudo é só uma confissão. Eu não sou bom em falar, nem verdade nem mentira. E uma das minhas resoluções de ano novo foi só ganhar na próxima mega-sena acumulada.

Pós-Zumbis 3ª temporada (6)


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É chegada a hora dos sacrifícios.

                “E onde diabos está Monquei?”, pergunta o leitor afoito, “Será que é ele a morte que o Narrador prenunciou no capítulo anterior?”, completa o Leitor.
                Adianto, com a minha imutável mania de estragar surpresas, que não, não é ele o sacrifício que a história pede. Agora conjecturo sobre como continuar a narração, se dizendo como nossos amigos escaparão daquele subterrâneo ou não ou se conto o que afinal ocorreu a Monquei. Opto pela segunda opção.
                Bem, comecemos por esclarecer algumas coisas. A razão de todos terem sido capturados, e não mortos, é que a alta cúpula por trás de todo o esquema, enquanto almoçava, decidiu que a melhor maneira de derrubar um inimigo é ter alguém como o inimigo do seu lado, logo, deram a seguinte ordem aos Engravatados: “Tragam alguns ‘rebeldes’ vivos, faremos deles Censores.” Agora a seguinte dúvida pode surgir na cabeça do leitor: “Mas para quê censores?” Bem, a resposta é simples, não era só o grupo que protagoniza essa história que havia resistido à “ameaça zumbi”, haviam outros, alguns potencialmente até mais preparados que nossos heróis

Se parar de correr... bem, não pare


                Ela tinha doze anos, uma meia azul e outra vermelha dentro dos tênis velhos e meio apertados, calça preta e uma blusinha amarela desbotada de mangas compridas e estava correndo como nunca. Fazia frio e a divertida rua dos paralelepípedos estava escorregadia por causa da camada de água e lodo e o que quer que fosse aquilo, ainda intocada no começo da manhã. A menina corria desajeitada sobre aquelas pernas muito finas e porcamente equilibrada por aqueles braços estabanados e tensos. Atrás dela vinham os dois homens mais feios do mundo inteiro: o grosso-redondo-careca e o alto-sujo-alto. Mas ela sabia que as pernas muito finas tinham que ser o bastante, porque, se parasse de correr, era o fim.
                 Uma semana antes tudo isso começou. A mãe foi presa por estar enfiada em algum buraco com bandidinhos fumadores de pedra e ela ainda carregava um monte de dinheiro, que só deus conhecia a procedência. Pelo menos foi isso o que disse o maldito do velho que vivia sentado na frente da casa, sem mais o que fazer além de falar. Mas ela sabia onde a mãe tinha arrumado o dinheiro, só não sabia aonde ela o tinha levado.
                Ela corria com ainda mais força. Gotas cristalizadas de lágrima soltavam-se dos seus olhos enquanto o vento gelado soprava contra ela. A menina magrela de quem ninguém se lembrava nem mesmo quando a mãe foi pra cadeia podia facilmente ser carregada pelo vento num dia normal – essas pernas muito finas não eram feitas para resistir -, mas não hoje. Hoje ela enfrentava dois homens feios e o chão molhado e, se ela parasse de correr, era o fim.
                Foi só quando as coisas do pai começaram a sumir de casa que ela soube que estava realmente sozinha. Ele tinha morrido alguns anos antes por conta de uma doença de nome muito estranho. E então ela e a mãe começaram a ficar pobres, pobres de verdade, por causa do custo do tratamento e todas as dívidas que ficaram, a mãe dizia. Mas só recentemente a mãe teve coragem de vender as coisas do pai, todas as roupas e sapatos e os livros e aqueles lindos óculos de pernas maciças e lentes grandes e grossas.
                A menina vinha a toda a velocidade quando os seus pés eufóricos encontraram uma caixa de papelão abandonada no meio da rua. Ela começou a cair e podia ouvir a respiração bestial do alto-sujo-alto poucos passos atrás. A sua mão livre tocou o chão primeiro e ela sentiu o arranhão quente e úmido que agora marcava a sua pele e a despertava do torpor da queda. Os braços encardidos do homem se esticaram para agarrá-la pelo cabelo, mas ela podia oferecer mais dificuldade do que aquilo. Num instante já estava de novo de pé e contra o vento. E estaria longe se aquelas mãos imundas não estivessem fechadas em volta das pontas dos seus longos fios. A dor foi uma pontada profunda que ecoou por todo o seu corpo e o caldo que escorreu pela nuca era medonho. Logo o homem jogava irado um tufo de cabelo no chão e voltava à sua perseguição. Ela não podia olhar para trás, se parasse de correr, era o fim.
                Onde é que se pode vender coisas velhas?, ela se perguntava sem atinar com a resposta. Pareceu uma eternidade o tempo que ela levou até criar coragem e perguntar para a mãe. A resposta não foi muito educada, como ela esperava, mas foi uma resposta. Soube por quase uma semana, mas não foi até lá. Foi preciso que sua mãe fosse presa, como um catalisador de ânimos, para que ela fosse com os primeiros raios do sol em busca do que era dela.
                O alto-sujo-alto corria muito perto quando ela decidiu virar à direita, e não à esquerda, em direção à ponte. Atrás dela se distanciava a rua vinte e nove, tão calada e protetora. Ali deviam estar o velho e as outras pessoas que olhavam torto para ela e a mãe, todos eles torcendo pelos homens feios, mesmo sem saber nem um pingo da verdade. Seus pés tocaram a vacilante madeira negra da ponte e embaixo dela o rio corria calmo e austero, como um abraço de avô. Teve que diminuir o ritmo, com medo de pisar muito forte na madeira frágil. Ela sabia que o grosso-redondo-careca já havia desistido muito tempo atrás e caído ofegante pelo caminho. Mas o alto-sujo-alto não, e nem a instabilidade da ponte o fez diminuir. Era medo o que fazia todos os seus membros formigarem. Pressionou com força o bolso da calça. Se ela parasse de correr, era o fim.

Quão poder nós temos?

    Uma pessoa sozinha não pode mudar o mundo? Quem disse isso?
    Basta uma simples ideia! Veja Bill Gates, Steve Jobs... Nomes provavelmente conhecidos para você, mas já leu suas biografias? Eram apenas pessoas comuns com determinação, boas intensões e força de vontade, tentando colocar em prática uma simples ideia. Sim, sozinhos! Sozinhos no início, pois logo muitos começaram a seguí-los, viam neles uma vontade de lutar por algo e uma coragem que lhes permitiam "andar" e olhe só: você lendo esse texto!
    Saiba que ninguém dará o primeiro passo para você, tanto porque não podem, mas ao dar esse passo você descobrirá que pode muito mais, e verá que já sozinho consegue mover montanhas e com um pouco mais de gente conseguiram parar mundo. Não acredita? Olhe em volta! Um pequeno lapso desse poder da humanidade está se mostrando. Final de ano, muitas pessoas "do nada" começam a doar presentes, dinheiro e até se doarem para ajudar o próximo.(Isso não muda o mundo? Então você nunca percebeu o efeito dominó que isso trás. Veja um exemplo comum, mas nesse caso ficcional: Uma pessoa trabalha em um aterro sanitário, nunca teve oportunidade nenhuma, mas sempre foi esforçada e dedicada. Eis que chega o final do ano, pessoas começam a ajudar, colaborar e a ver essas pessoas que trabalham no "lixão", que antes eram invisíveis aos seus olhos (seria por causa da correria do dia-a-dia ou simples egoismo? Não importa! Não agora...). Tais pessoas que começaram a receber uma pequena atenção agora comem bem por causa de uma cesta básica doada e consegue agora alugar um quartinho em um puxadinho de um barracão, com o dinheiro antes destinado a comida. Mais ajeitada, aproveita a oportunidade que o comércio oferece, de vagas temporárias (típico desta época do ano), mas com tamanha determinação que sempre teve logo consegue o emprego permanente... 6 anos depois essa mesma pessoa é gerente da loja e já mora na capital. Para não negar suas origens ela ajuda todo final de mês com 20% do seu salário o povo do aterro sanitário, pois aqueles, nem se ela quisesse, seriam invisíveis para ela. Esses 20% doados transformarão mais vidas! E a história continua.)  Conseguem estabelecer um momento de paz no mundo (Réveillon), se unirem e celebrar até mesmo com quem não conheces sem nenhum motivo verdadeiro. Paz até mesmo durante guerras: veja um dos maiores exemplos disto (clicando aqui).
    Ou vai chamar o Réveillon de um motivo verdadeiro? Não passa de uma data convencional prosseguidos por eventos aleatórios que não foi estabelecidos ao acaso. Vejamos, dos 365 dias e 1/4, quem escolheu que esse dia ia ser o primeiro do ano? Já sabemos que Jesus de fato não nasceu dia 25/12, por que persistimos com a data? Se reiniciamos o calendário do zero só por causa de Cristo, por que o natal não é dia 01/01? Que bom que a maioria está de férias e recebendo seus 13º salários (se for um "bom" político,a té 15º)!
    Acaso ou não, vemos no final de cada ano o poder que nós temos de poder mudar o mundo com nossa força de vontade. Transformar! Assim como com dois já podemos também criar uma guerra e conseguir mudar o mundo.
    Mas esse papinho de que temos poder é só conversa! Vou avisar isso para os ditadores afora e aos manifestantes de rebeliões e primaveras.
    *mas voltando*
    Saiba que não há muitos seres de espíritos convictos e caminhantes por ai, pois as pessoas se acovardam e temem por tomarem decisões, não querem nem correr o risco (e se erram?), e se ocultam atrás de lideres, estes, como já dito, com boas intenções e sabemos que no inferno está cheio de pessoas com boas intenções (né, Adolf H.).
    Quando suas atitudes começar a falar por ti, você começará a se destacar mais do que os outros e estes passaram a te respeitar e posteriormente a lhe seguir, te ajudar.
    Independência, Firmeza, Autonomia, Coragem e Determinação!