Caminho das orelhas e além


Tem um porta-retrato ali
Em cima da mesa da sala
Mas quem passa despercebido
Não vê a sua cara

Deve ser porque ele não está de pé
Mas com a cara virada pro chão

Faz um tempo já, é bem verdade
Que os meus retratos estão cabisbaixos

Tenho a impressão de que toda noite
Um barulho de goteira
Acorda os meus sonhos molhados
- Olhos abertos e pregados e inabituados à escuridão –

Mas quando forço os sentidos a pegarem no tranco
A cara é molhada ao toque
Como os sonhos também eram
Enquanto o ambiente é seco aos olhos
Como os olhos secos e doentes
Das doenças úmidas que se proliferam

Algo em que atirar a pedra


                Fato é que o mundo muda, que a mentalidade se transforma, que os dogmas e concepções sofrem gradativas e lentas metamorfoses.
                Mas, e ai talvez as coisas se provem consoantes às vontades de alguns poucos e menos inerentes às de uma certa maioria, alguns pilares não se movem, estão tão firmemente alicerçados que nem mesmo um terremoto ou tsunami ou ciclone faz eles se moverem. É o mais rijo dos betões.
                Respiramos um ar maculado, impuro, malévolo ao organismo, ruim. Temos um desperdício gigantesco de sacolas e materiais nocivos ao solo e às águas, comemos comidas cada vez mais contaminadas e menos sadias. Sobre esses problemas, principalmente os dois primeiros, que se estendem por uma cadeia de muitos outros, muito se fala sobre o petróleo, de como ele é toxico, de como o seu consumo deve cessar. Ninguém parou para pensar nos benefícios do petróleo à sociedade contemporânea. Os combustíveis, os diversos plásticos, os pesticidas... Não estou aqui a defender os furos ultraprofundos que geram vazamentos e mortes marítimas, nem o consumo do principal produto responsável pelo agravamento do efeito estufa, nem pelo uso do que tanto compromete a qualidade do nosso ar. Mas a verdade é, e ai falo uma opinião, que o petróleo é só um coadjuvante, uma testa de ferro para ser culpada por um problema muito maior. Não é o consumo de petróleo que tem “ferrado” a nossa vida. Quer dizer, pelos males acima afirmados, sim, ele está no processo, mas a verdade é que a culpa é o nosso estilo de vida.
                Queremos por a culpa em um item produzido para nosso uso, porque não queremos enxergar o fato de que quem consome de forma tão imprudente e impulsiva somos nós.
                Ninguém nem cogita a hipótese de que talvez o sistema de economia e consumo que rege nossas vidas seja o problema, não cogitamos porque trememos de medo só de pensar nas mudanças que seriamos forçados a fazer para o enfrentamento do problema; então é melhor seguir crendo firmemente na culpa do óleo escuro. Aliás, no íntimo, talvez alguns de nós cogitem, mas deixamos esse pensamento sufocado dentro de nós mesmos, pelo absurdo que ele representa, pelo “sofrimento” que ele acarretaria.
                Agora querem acabar com o petróleo, querem trazer uma mudança tão radical para que nosso meio de vida permaneça intacto. É muito fácil falarmos que o petróleo é o problema, veja quantos itens em excelente estado são descartados diariamente apenas para nos adequarmos à tendências estéticas e convenções sociais.
                E por mais que tentemos acertar o alvo, erramos.
                “Uns são mais culpados que outros, e estes vão arcar com as consequências, mas, verdade seja dita, se procura pelos culpados, basta que se olhem no espelho.” V de Vingança(V) – Alan Moore

Valentim, te valha de mim!


                Hei, não vás embora. Fica aqui. Porque uma hora o sinal vai bater lá de cima e não quero estar sem ti até lá; as horas passam tão gordas e arrastadas depois que ele bate. E isso acontece todos os dias, não esquece, e a cada dia bate mais cedo do que no anterior. Por que tens que ir embora? Se cada pedaço de mim grita FICA e se nenhum deles consegue entender por que vais.
                Não sei se foi ontem ou um mês atrás, mas quando parei pra escrever sobre as mazelas do mundo, só consegui pensar em ti. Não fiques aí pensando que te considero mazela, não. Olha o resto da frase e ao redor de ti: te considero mundo. Considero-te um mundo bem maior do que o meu. Que nem os conjuntos dos números: o meu conjunto fica cá dentro do teu. O que quer dizer que te pertenço.
                E já sabes de tudo isso, talvez até estejas cansada de ouvir. Mas não acho que preciso te contar, é que preciso dizer, mesmo que por dizer apenas. Dizer que não fico bem quando vais embora. Meu mundo torna a ser pequeno, meu olho fica grande e desencontrado, a boca sem nada pra denunciar, os ombros pesados e um vazio crescendo exponencialmente. A cama tão grande que nem traz bom sono, o livro tão pesado que meus braços não conseguem suportar na frente da minha cara, o calor que não esquenta, o frio lá fora que parece sempre mais quente do que aqui dentro: azul, azul de verdade.
                O sinal bateu. Uma badalada metálica. Uma badalada congela.
                Cadê a minha princesinha? (Títulos de realeza não enchem os meus olhos, que isso fique bem claro, eu espero. Mas tu enches meus olhos, ouvidos, coração e perturbas as ligações entre os neurônios do meu cérebro e pelo ralo vão todas minhas convicções e meu repúdio pelas imorais relações sociais do milênio passado.)
                Cadê o conforto de ouvir teu coração bater e sentir as vibrações que emanam da tua pele à minha? Não vás. Fica aqui. Assim posso ouvir teu coração, chamar-te princesinha do jeito mais besta que houver, ver sorriso e boquinha torta, ganhar mordida bem funda na carne que deixa marca gostosa de ver depois. Só fica. Deixa o resto comigo. Porque o sinal vai bater e bater e bater e bater. Nunca quero estar sozinho da próxima vez.

R.I.P. Whitney Elizabeth Houston

     Nossa singela e sincera homenagem:

♦09/08/1963   ~   † 11/02/2012

The Secret Plan — continuation / to be continued

Relembre os últimos escritos da série:
Parte 1:  The Secret Plan — to be continued

...
      Somente após dois anos após o fim da guerra que a URSS acaba, e nesses dois últimos anos um grande plano foi firmado para destruir o sistema (na verdade, apenas iniciado).
1º Passo:
Infiltrar, Disfarçar, Aprender e Repassar
P.S.: Não como espiões, e sim como civis.
      Dezenas de pessoas foram clandestinamente para México e Canadá (até a Luiza) para chegar aos EUA, e outros foram direto para os Estados Unidos. Se estabelecendo todos com sucesso, com seus documentos falsos, conseguindo seus greencards, se casando e tendo filhos...
      Esses ensinaram seus filhos sobre o esquema e os incumbiram de aperfeiçoar o plano e seguir com a missão. Todo um (pré-)plano baseado nas fraquezas do sistema capitalista já traçado são entregues aos mesmos.
      Pensam também que se os envolvidos se encontrarem poderia causar suspeitas e assim serem descobertos de alguma forma, logo portanto ao invés de montar uma ceita com reuniões secretas, fizeram é entrar em uma já existente, que de tão descarado seria talvez até um disfarce: a maçonaria.
      Com os contatos certos e as recomendações das pessoas certas para as pessoas certas, certamente conseguiriam se ingressar, ou pelo menos seus filhos, em tal grupo que se revelou tão misterioso durante a História. E estes somente se encontrariam uma vez por ano na reunião anual maçom estado unidense.

<13 anos depois>

      Fracasso!
      Pouco saiu como o esperado. Ninguém mais já se encontrava na maçonaria. Todos se diziam fieis a causa, mas agora, a maioria, não passavam de meros "nerds losers" que moravam ainda na casa da mãe...
      Fracasso?
      Pelo contrário! Agora passavam a imagem perfeita. Conseguiam ser ignorados e estavam mais que nunca em pró da causa. Na verdade tinham um plano, um 2º passo a ser dado. Tinham comunicação direta agora, em chats estritamente privados e protegidos, pois os aparente Nerds eram verdadeiros Hackers que dedicaram praticamente suas vidas investindo em conhecimentos nessa nova ferramenta do mundo: a informática. Conheciam cada código e comando dos computadores e da internet e deram inicio ao passo de número dois.

2º Passo:
Pirataria
      Que tal gastar milhões para receber bilhões? E se tal investimento de milhões não gerasse retorno? Se as coisas pagas começarem a serem distribuídas gratuitamente... "SHARE!"
      Com a internet além de atingir os EUA, era possível agora atingir o mundo e eis que surgiram com sites de compartilhamento.
      Mas não só isso!
      Um engenhoso vírus surgiria de tal forma que utilizasse padrões aleatórios de caracteres para impossibilitar ser detectado e ser capaz de atacar todos e quais quer eletrônicos que tiverem contato, mesmo que por milésimos de segundo, com a rede online (internet).
      Quando ativado traria um verdadeiro caos como consequência, afetando os transportes, mas além disto desapareceria com o dinheiro do jeito que o é, pois afetaria as bolsas de valores e toda transição eletrônica, restando uma pequena parte que é o dinheiro impresso, e estes estariam concentrados em bancos e por isso passariam a aderir valor zero.
      Porém, esse fabuloso vírus requer uma engenhosidade tão grande que levaria anos (talvez décadas) para sua conclusão parcial e assim poder executá-lo, por isso colocaram, de faixada, a inserção de duas "palavras" que o usuário precisa digitar antes de utilizar o serviço de download, na desculpa de como sendo um código de segurança, mas que na verdade é apenas uma contribuição sua para a formação de tal "vírus".
...
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Terá mais uma continuação (acho que só mais uma)! O tédio ainda continua, por isso a história ainda continua. Devo o tédio as aulas de cursinho (que pouco resolvem minha vida ¬¬'), mas a hierarquia paterna me obriga a fazê-lo :/

Sobre o texto:
Saiba que atualmente mais de 65% de todo o dinheiro, em média, nunca é visto por seu possuidor, apenas os números em sua conta bancário, provando que há o dinheiro... Em suma você está trabalhando para obter número agora e não papel-moeda em si.
Uma grande empresa por exemplo ao tirar o extrato bancário vê que possui números com até 8 dígitos na conta, equivalentes a papel-moedas guardados no banco. E se por acaso esses 8 dígitos reduzissem para zero? A empresa estaria sem número para negociar no comércio e praticamente somente o banco teria tais papeis-ex-moedas, pois agora tais papeis coloridos não valeriam nada.
Lembrando que se fosse só um caso a se resolver até poderia ser resolvido, mas quando é 7 bilhões de casos simultâneos... = Caos no sistema monetário.

Sites de compartilhamento são os FileSonics da vida, 4Shared, XShare, FileServer, UploadStation, MediaFire etc.

A possibilidade de o vírus poder ser executado com precisão mesmo tendo apenas uma conclusão parcial é porque nunca haverá uma conclusão final, pois ele precisa estar sempre se auto-renovando, se atualizando e melhorando.

P.S.: Desculpe a demora, pois cometi um equívoco ao marcar a postagem como Rascunho em vez de Programada. :x

Abraços.

Pois eu transformo água em vinho, Chão em céu, pau em pedra, cuspe em mel

"Disse Jesus, Estou à espera, De quê, perguntou Deus, como se estivesse distraído, De que me digas quanto de morte e de sofrimento vai custar a tua vitória sobre os outros deuses, com quanto de sofrimento e de morte se pagarão as lutas que, em teu nome e no meu, os homens que em nós vão crer travarão uns contra os outros, Insistes em querer sabê-lo, insisto, Pois bem, edificar-se-á a assembleia de que te falei, mas os caboucos dela, para ficarem bem firmes, haverão de ser cavados na carne, e os seus alicerces compostos de um cimento de renúncias, lágrimas, dores, torturas, de todas as mortes imagináveis hoje e outras que só no futuro serão conhecidas, Finalmente, estás a ser claro e directo, continua, Para começar por quem tu conheces e amas, o pescador Simão, a quem chamarás Pedro, será, como tu, crucificado, mas de cabeça para baixo, crucificado também há-de ser André, numa cruz em forma de X, ao filho de Zebedeu, aquele que se chama Tiago, degolá-lo-ão, E João, e Maria de Magdala, Esses morrerão de sua natural morte, quando se lhes acabarem os dias naturais, mas outros amigos virás a ter, discípulos e apóstolos como os outros, que não escaparão aos suplícios, é o caso de um Filipe, amarrado à cruz e apedrejado até se lhe acabar a vida, um Bartolomeu, que será esfolado vivo, um Tomé, que matarão à lançada, um Mateus, que não me lembro agora de como morrerá, um outro Simão, serrado ao meio, um Judas, a golpes de maça, outro Tiago, lapidado, um Matias, degolado com acha-de-armas, e também Judas de Iscariote, mas desse virás tu a saber melhor do que eu, salvo a morte, por suas próprias mãos enforcado numa figueira, Todos eles vão ter de morrer por causa de ti, perguntou Jesus, Se pões a questão nesses termos, sim, todos morrerão por minha causa, E depois, Depois, meu filho, já to disse, será uma história interminável de ferro e de sangue, de fogo e de cinzas, um mar infinito de sofrimento e de lágrimas (…)”

O Evangelho segundo Jesus Cristo - José Saramago