So, Don't give up! Keep calmp and Allons-y!
Adiantem seus relógios!!
Sei que às vezes a gente complica demais a vida, ou acaba se estressando e se preocupando com coisas demais. Só no fim, após exaustivos esforços, você perceberá o simples. Como as coisas são confortavelmente simples.
So, Don't give up! Keep calmp and Allons-y!
So, Don't give up! Keep calmp and Allons-y!
Tudo o que você sempre quis saber sobre Torrent, mas nunca teve coragem de perguntar (TUTORIAL)
Torrent: liberdade de troca de dados entre usuários.
O complexo da solitude e o Homem Vitruviano I
Lord, why? Where were you? Did you know what happened? Do you care?
~
A árvore da vida ~
À noite sempre
acordo, olho os origamis pendurados no teto e eles olham para mim, pego o
celular em cima da mesa, vejo as horas, volto a dormir. Esta noite não foi
diferente, a não ser pelo fato de que quando ela se foi ninguém mais levantou senão
eu. Naquela manhã comum, os postes desligaram suas lâmpadas, um após o outro,
tinha cheiro de café pronto, mas não havia mais ninguém para acordar. Saltei da
porta de casa para o mundo e pressenti pela solidez da ausência de ruído que
estava sozinho. A Terra rodava silenciosa. Meu grito de susto, não pelo
fantasma que teria visto, mas pelo vivo que não vi, foi engolido pelo silêncio
de uma humanidade desaparecida.
Esteja aqui,
agora.
Do
good to them. Wonder. Hope.
Conjecturas sobre a velhice
Ficar velho, inevitável fato que a todos assola e que
a todos causa medo, fato inerente, escusado dizer, ao homem e a todos os seres
viventes (salvo alguns unicelulares, mas estes nem ciência de si devem ter). A
perda gradual e, pior, perceptivelmente diária das qualidades físicas, tanto as
estéticas quanto as mecânicas; começa-se a perder a graxa dos joelhos, e também
as pregas da cara; o andar passa a ser penoso, a cabeça passa pelo degradê que é
intermediado pelo cinza até findar em prateado, salvo os mais desesperados,
estes que passam mil e um tons de pintura para maquiar e esconder a silvura dos
pelos que cobrem a capa do crânio.
E ai residem os pesadelos da grande parte de nós,
humanos, que vivemos neste mundo que cultua a pele esticada, o cabelo liso e
colorido e a capacidade de usar calçados e roupas desconfortáveis por mais
tempo do que seria medicinalmente aconselhado.
Mas existe um outro drama, que acredito também estar
no imaginário de todos nós, mesmo que em caráter secundário; que para mim é
justamente primário; que é a perda das faculdades mentais. Estas que também
começam e passam de maneira gradual e perceptível pela esteira do tempo; o
natural estranhamento que passamos a ter com as tecnologias que vêm; a gradual
dificuldade em assimilar qualquer coisa nova; a natural lentidão para os
cálculos de cabeça; e a natural atenuação da resposta rápida, da capacidade da
frase feita. E isto, antes da barriga grande e da careca, isto sim me tira o
sono.
Percebam, por mais que nos esforcemos, e não estou
dizendo que manter uma vida saudável e ativa é inútil, mas estamos todos
sujeitos ao carma biológico dos genes, estes que podem muitas vezes serem
impiedosos conosco na tão dita “melhor idade”.
Falamo-nos, eu e o Marco, outro dia sobre isso; sobre
aquela vó – que você leitor também deve ter – aquela que agora já voltou a ser
portar como uma criança, muitas vezes até ingênua, aquela sua vó que solta
coisas que não devia nas reuniões de família, que passa a depender mais e mais
das boas vontades familiares, aquela senhora ou senhor; pode ser um avô também;
que já não consegue mais compreender na totalidade do necessário as notícias
que o âncora do jornal do horário nobre tão polidamente passa para nós pela
tela da tevê.
Isso me tira das nuvens que são os sonhos, ver-me no futuro
a sombra de tudo aquilo que já fui um dia; pois a aparência tem seu benefício,
mas: Primeiro, existem aqueles velhos que adquirem o charme do tempo, e,
também, é algo que não me parece tão relevante assim vis-à-vis a incapacidade
de tratar de assuntos antes tão vivos em sua língua, assuntos estes que se
desvencilharam do seu poder, não só pela perda de raciocínio, coisa da qual nem
mesmo o mais agraciado de nós está isento, mas também do natural curso do
mundo, que já mudou tanto no decorrer da sua vida que você não pode mais
acompanhá-lo, ficando a quem do cotidiano, das decisões importantes, das
análises de botequim, do trabalho intelectual...
Você envelheceu... Que eu possa terminar como um
Saramago, ciente, ativo intelectualmente, capaz de argumentar e de conjecturar
lucidamente sobre a vida e sobre as coisas.
Claro que há o benefício da senilidade que é
justamente não saber que se está senil, mas não quero este segundo prêmio
barato. Que me seja permitido um pouco mais que isso, que eu possa morrer tendo
plena ciência de minha morte, ou pelo menos vivendo o último dia de minha vida
conseguindo escrever textos melhores dos que eu escrevo para este blog.
Que eu perca as feições que hoje me distinguem, mas
que eu não perca as feições marcantes da fala, da escrita, da capacidade de
pensar e de emitir ideias; que eu termine meus dias não podendo andar sem o
auxílio de uma bengala, mas que não precise de alguém para digerir para mim a
notícia que está passando no jornal.
Legado
Conversando com Ian outro dia,
chegamos ao assunto do que faremos pelo mundo, o que deixaremos de útil para a
posteridade, se seremos, ou não, lembrados por algo que realmente fará a
diferença na vida das pessoas.
Ser um grande cientista, pesquisar
e descobrir formas de melhorar o mundo e as pessoas, propor mudanças e ser
reconhecido, tendo seu nome marcado na historia, como um grande homem, que
sabia o que dizia e dividia isso com o mundo, um visionário, com ideias a
frente do seu tempo.
Ou um escritor, com obras notáveis e não apenas Best-sellers, que fala com propriedade de cada assunto a que se propõe, livros que serão eternizados.
Eu, pessoalmente, penso de uma
forma mais minimalista. Acho que ser uma influencia na vida de uma única pessoa,
de uma forma que realmente faca diferença na vida dela, ter uma contribuição positiva
nas suas escolhas, já e muito valido.
Um camponês que provavelmente
apenas planta para o seu sustento, que não estende sua influencia para alem de
sua propriedade e seu lar, mas que ensinou valores morais aos filhos e a quem o
cercasse, contribuiu para o mundo passando adiante a ideia de ser um bom homem,
deixando essa ideia ser difundida através dos que ensinou. Pode não ser uma
garantia de que esse sentimento prevalecerá, mas muito da historia da
humanidade foi passada de pessoa para pessoa, ate chegar aos livros e demais
meios físicos de se guardá-las.
O legado deste camponês pode não mudar
o mundo, assim como escrever uma musica brilhante pode não mudar, mesmo
passando centenas de vezes pela mente de fãs que a cantarão e não entenderão sua
mensagem; como um belo conto moralista escrito com tanto empenho, mas que não será
entendido, na sua forma metafórica, por quem o lê; como qualquer ideia, por
mais brilhante que seja, pode não ser acatada por ninguém.
O avô que conta estórias para o
neto, a professora do ensino médio que indicou um livro que você gostou e abriu
caminho para uma vida de leituras, o curandeiro do interior, que ensinou às
jovens mães de família os chás que eram uteis para cada momento... Eles
deixaram um legado.
Esse legado não e eterno, mas contribuiu com alguém e fez-lhos lembrados, lembrados por um milhão ou por cem pessoas.
Uma visão muito poética, e talvez
eu poetize em excesso a vida, talvez ela seja mais fatos concretos que sentimentos
e visões pessoais, e ainda não sei qual será o meu legado... talvez seja em
forma de versos.
E você, leitor, o que vai deixar
de bom para este mundo?
Como a mais tenra flor, que se abre a quem quiser ver
Por que você
não se parece mais com todo mundo? É tão diferente, tão distante. Não sei se os
anos passaram e eu perdi toda memória que tinha do seu rosto, não sei se as
fotos ou as conversas recortadas que os outros mantêm a seu respeito são suficientes pra fazer com que aquela fagulha continue viva. Vai ver é isso. Eu que
guardo lembranças mofadas e desde então você cresceu, você mudou e agora é como
todo mundo. Mas quer saber? Eu duvido. Você nunca foi nem remotamente como todo
mundo e não vai ser jamais. Você tem aquele brilho azulado, melancólico, bonito
até de se ver. Quase ninguém mais o tem, sabe, não esse genuinamente azul,
fervilhando de sentimentos – amor, mágoa, vontade, saudade, empatia.
Por que você
não aparece mais? Eu sei que é hipócrita, você nem sumiu, não de verdade. Eu
escondi você, num buraco quente de alguma válvula cardíaca. O que é peculiar
sobre coisas escondidas nas válvulas cardíacas é que, devido à natureza
muscular e pulsante desse órgão, elas voltam à tona, por um caminho ou por
outro. A sístole a leva ao cérebro, ao lobo qualquer coisa que tem a ver com a
memória, e dói, eu quase consigo ver os pequeninos hormônios – que me aparecem
azuis, por algum motivo desconhecido – se espelhando pelos meus membros, pelas minhas
células velhas que não se cansam de se multiplicar. A diástole, na tentativa de
arrastar de volta pra dentro do coração essa coisinha que eu escondi, não tem
tanta força assim, e o negócio todo fica entalado na minha garganta. E é pra
sempre, esse ciclo é eterno, como você deve ter deduzido, já que eu respiro e o
meu coração bate e você vai e volta. Bem, meu coração não vai bater pra sempre,
quem sabe aí...
Por
que você me deixa ser como sou? A culpa é toda sua. Você sabia que eu era
fraco, você sabia que eu não era deus. E ainda assim ficou, sem fazer nada,
assistindo a minha queda, metro por metro, grito por grito. Ah, vá embora
praquele lugar escuro, claustrofóbico e ensanguentado. Lá é sua casa agora. Mas
quer saber de outra coisa? Eu quero mesmo é pedir desculpas. Fui eu que me
afastei de você e fui eu quem fez dois o que antes era só um. Nós
compartilhávamos tecidos, órgãos, fios de cabelo, um corpo inteiro mesmo; mas aí
eu tentei expurgar você, tomei veneno, coisa assim. E você não saiu de mim. O
pior foi isso, você não saiu e alguma outra coisa vital ficou estragada,
morreu. Eu sei que desculpas não contam pra nada, nem limpam sujeira, mas elas
ajudam a quem as pede. Que minhas desculpas a você sejam que nem aquele tipo
bom de colesterol, e evacuem minhas artérias. Mas, sei lá, meu coração bateria
descompassado se fosse evacuado.
You see, we're all trying to endure. You could easily go and make your
own life somewhere.
Eu poderia fazer minha vida em outro lugar, você também poderia. Se
calhar do lugar ser um só, ah, que calhe.
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