Nihil: Tem um peixinho no teu coração

Tem um peixinho na história em quadrinho e todo o resto não é ficção. Sabe o sopro do quadriculado o que não sabe coser a própria pele, para fazer cicatrizar quando é necessário arrancar fora a máquina-coração, sem esquecê-la do lado de fora, claro. 

Clique para... para o que mesmo?

Stalingrado, uma reflexão

A tamanha distância procuro, indago, cheiro destroços sangrentos,
apalpo as formas desmanteladas de teu corpo,
caminho solitariamente em tuas ruas
onde há mãos soltas e relógios partidos,
sinto-te como uma criatura humana, e que és tu, Stalingrado, senão isto?
Uma criatura que não quer morrer e combate,
contra o céu, a água, o metal, a criatura combate,
contra milhões de braços e engenhos mecânicos a criatura combate,
contra o frio, a fome, a noite, contra a morte a criatura combate, e vence.
As cidades podem vencer, Stalingrado!
Penso na vitória das cidades,
que por enquanto é apenas uma fumaça subindo do Volga
Penso no colar de cidades, que se amarão e se defenderão contra tudo.
Em teu chão calcinado onde apodrecem cadáveres,
a grande Cidade de amanhã erguerá a sua Ordem.

(Drummond de Andrade em Carta a Stalingrado)

            Por onde andam os nossos ideiais mais bonitos e joviais e humanos e mais edificadores?

            Será que, assim como o poeta, vamos perdendo essas vontades enquanto fogem de nós a elasticidade da pele e a firmeza dos membros?

            Stalingrado é um ideal, não uma cidade. Darwin é o messias da minha religião e Marx um dos seus profetas.

            Para sempre, para sempre jamais.

Pós-zumbis 4ª Temporada (4)


PARA LER OS ANTERIORES CLIQUE AQUI!
 ---------------------------------------------
Estou mesmo acordado?

                Fronrel está em um campo de concentração. É noite, a lua ergue-se vermelha, grande e ameaçadora no céu. Fronrel juraria, se perguntado, que era o próprio olho do demônio que o encarava naquele instante, que encarava toda a metade do planeta nesse momento.
                Fronrel está com a vestimenta de um detento, mas por algum motivo transita livremente no local.
                O local tem tons pastéis, todos eles; nenhuma cor viva, nada que salte aos olhos, tudo é chapado, tudo é apático, tanto cores quanto atitudes, ações e padrões miméticos por todas as partes e presentes em todas as esferas de atuação dentro do campo de concentração. Muros de betão que se erguem altos e lisos, de todos os lados, adornados por arames farpados enrolados em seus topos.
                E Fronrel vê-se, de forma inexplicável, cercado por uma redoma de vidro. Um a um seus companheiros vão passando, tanto os que vivem quanto os que já se foram. E um a um eles vão se posicionando rentes ao muro. Um a um eles são fuzilados, sem dó, sem últimas palavras, sem últimos desejos. Ele espanca o vidro a cada tiro disparado, tenta quebrá-lo, inútil, tenta gritar, inútil, seus pulmões cheios esvaziam-se sem que uma única palavra saia de sua boca.
                Fronrel acorda. Está empapado em suor, só enxerga uma coisa, a luz vermelha que se dispõe no alto da sala, em uma quina, que indica que a câmera de vigilância está a funcionar. Não sabe que horas são, nem onde seus amigos estão; sabe apenas que tem fome, tanto de ração quanto de respostas.
                Em dado momento, que Fronrel não soube definir com certeza, ele foi separado de seus amigos. Não sabia mais deles e, por algum motivo, não tinha tanta urgência em sabê-lo. Fronrel estava cansado, cansado destes desencontros intermitentes, da constante expectativa frustrada, dos inconstantes planejamentos.
                Após certo tempo alguém abre a porta e adentra o recinto. É interessante como nosso relógio interior tende a se desorientar na ausência da visão. Fronrel não saberia dizer que havia se passado muito ou pouco tempo.
                _ Preparado? – pergunta a pessoa

Infrutífero


Tenho vontade de buscar o teu rosto por carinho, sorriso, calor ou só compreensão, porque é verdade quando dizem que nós somos imperfeitos: temos olhos, temos mãos, temos boca, temos coluna espinhal e alma que é a essência, mas, mesmo com isso tudo, ainda nos sentimos sozinhos; pelo menos eu me sinto sozinho, preciso de você.

E ainda assim somos deuses, cada um, porque criamos tanto e somos capazes de cuidar; não é isso o que faz um deus?, ele cria e ele cuida e ele até mata e castiga. Mas ele é perfeito e por isso não gosto dele, já que faz o “mal” por sadismo e não por imperícia ou imprudência – o sádico rei de nada.

Tenho vontade de deitar do teu lado e dedicar todas as minhas forças, inclusive aquelas que se usam para ficar de pé, para tentar te alcançar; a alma, eles dizem, e eu até acredito nela, não como um espectro de forma humana translúcida, mas como tudo o que fica na mente e o que se sente e o que se cria: cada um de nós é um universo!

Como a encontrei, não sei. Como chegou até aqui, não vi. Mas é ela, eu sei que é ela porque há um rastro de luz quando ela passa; e quando ela me abre os braços eu me crucifico neles banhado em lágrimas de ternura; e sei que mataria friamente quem quer que lhe causasse dano!

Isso é do Vinicius, em O amor por entre o verde. O que seria das nossas pobres almas semianalfabetas, não fossem os grandes poetas e a lua e os bancos de praça?

kabkaj para adoçar seu dia

   É interessante analisar que uma das coisas mais doces e gostosas da gastronomia deriva de um produto tão amargo e intragável; Que as coisas boas só existem por causa das ruins e uma deriva da outra; Interessante como um presente direto de Deus é o objeto que o Capeta colocou em seu caminho; E que uma das coisas mais prazerosas para você pode ser a mais agonizante das torturas para outro. Me refiro, pelo menos primordialmente, ao chocolate.

   O chocolate do jeito que conhecemos hoje é uma invenção européia, mais especificamente da Espanha. Isso porque o cacau é uma fruta nativa da América, comum de regiões tropicais e bastante adorada pelos indígenas locais, os quais foram dominados pelos espanhóis no século XVI, fazendo com que o europeu tivesse contato com tal fruta.
   Curiosamente o cacau era considerada pelos indígenas, como os Maias, uma fruta dada diretamente pelos deuses aos homens e por isso largamente consumida (principalmente em rituais). Preparada com água quente essa bebida ganhava o nome de kabkaj, que significa bebida amarga, que coincidentemente, ou não, é extremamente saudável, porém extremamente intragável também.
   E foi tentando melhorar o sabor do kabkaj que chegamos nessa maravilhosa mistura de cacau, amêndoas, leite e açúcar, que se dá o nome de chocolate e que se associa diretamente com ovos, fazendo assim surgir a Páscoa! Ou algo do tipo... Nunca entendi direito essa parte.
   Mas importante saber que o chocolate já foi, e para alguns ainda é, uma especiaria enviada das profundezas do inferno, pelo menos para os católicos, pois primeiramente era uma fruta de crença pagã, mas ninguém deu a mínima e continuou comendo; depois foi acusado de ser uma droga que viciava, mas pesquisadores sérios analisaram o doce e disseram que o chocolate não gera nenhuma dependência física e por fim, só para dizerem que não estavam errados, posteriormente foi acusado de ser o principal alimento causador da gula (um dos sete pecados capitais), mas depois essa baboseira toda caiu no esquecimento geral.
   Tirando isso, o chocolate nos remete a um questionamento gastronômico relativamente inútil, que é a mistura de alimentos, pois apesar de o cacau ter propriedades benéficas ao nosso organismo (em especial no sistema circulatório, além de ser um estimulante cerebral entre outros), junto com o leite essas propriedades são bruscamente reduzidas, por isso o chocolate mais saudável são os amargos, os quais possuem um maior teor de cacau e menor de leite. Neste caso o leite impede absorção de antioxidantes, mas misturas como "café com leite" se mostram também não muito positivas, pois a cafeina do café impede a absorção do cálcio, ferro e algumas vitaminas proporcionada pelo leite (o café ingerido após as refeições é ruim também, pois causa o mesmo efeito, impedindo que nutrientes e vitaminas importantes sejam absorvidos bem). Apesar disso nem todas misturas são ruins (como o arroz com feijão) — lembrando que a mistura de manga com leite é mito,se não não existiria creme de manga, e isso já envolve uma questão histórica...
Mito também é sobre as propriedades afrodisíacas e a estimulações de espinhas
   Porém apesar de o chocolate trazer benefícios, deve ser ingerido (como tudo nessa vida) com moderação, pois é um alimento de alto teor calórico, sendo coincidentemente o ao leite mais calórico do que o (meio-)amargo.

   Devido a Páscoa, muitos devem ter chocolates em suas casas e devem se deliciar com eles prazerosamente após a refeições ou simplesmente em um momento casuais ou pré-menstruais, porém apesar de para você ser a coisa mais gostosa do mundo, não são todos que acham isso. Há pessoas que simplesmente passam mal após comer o menor pedaço que seja, em que ficam vomitando continuamente; mas o pior mesmo é quando dão chocolate para seu cachorro que faz cara de pidão, pois para alguns animais o chocolate é extremamente tóxico e venenoso, incluindo os cães.
   O fato é que só não paramos de consumir chocolate para ajudar os UpaLupas não perderem seus empregos! Ainda mais em tempos de tamanha crise mundial!


Pulp Post

Este domingo é dedicado a um Roteirista e Diretor de cinema que pode ser colocado
na categoria "Um dos Grandes"

Roteirista e Diretor de Filmes épicos como:
Pulp Fiction (Oscar de melhor roteiro original)
Inglorious Bastards (Oscar de melhor ator coadjuvante e indicação de melhor filme)
Kill Bill Vol. 1 & Vol. 2

Um pioneiro no uso de câmeras em locais inusitados (como no porta-malas de automóveis) e do uso de roteiros não lineares, além de grandes sacadas em diálogos ácidos e longos.