De fato, direi que é a morte
Uma Criatura
Sei de uma criatura antiga e formidável,
Que a si mesma devora os membros e as entranhas
Com sofreguidão da fome insaciável.
Habita juntamente os vales e as montanhas,
E o mar, que se rasga à maneira de abismo,
Espreguiça-se toda em convulsões estranhas.
Traz impresso na fronte o obscuro despotismo.
Cada olhar que se despede, acerbo e mavioso,
Parece uma expansão de amor e de egoísmo.
Friamente contempla o desespero e o gozo.
Gosta do colibri, como gosta do verme,
E cinge ao coração o belo e o monstruoso.
Para ela o colibri é, como a rola, inerme;
E caminha na terra impertubável, como
Pelo vasto areal um vasto paquiderme.
Na árvore que rebenta o seu primeiro gomo,
Vem a folha, que lento e lento se desdobra,
Depois a flor, depois o suspirado pomo.
Pois esta criatura está em toda obra:
Cresta o seio da flor e corrompe-lhe o fruto;
E é nesse destruir que suas forças dobra.
Ama de igual amor o poluto e o impoluto;
Começa e recomeça uma perpétua lida,
E sorrindo obedece ao divino estatuto.
Tu dirás que é a morte:
Eu direi que é a vida.
(Machado de Assis)
Sei de uma criatura antiga e formidável,
Que a si mesma devora os membros e as entranhas
Com sofreguidão da fome insaciável.
Habita juntamente os vales e as montanhas,
E o mar, que se rasga à maneira de abismo,
Espreguiça-se toda em convulsões estranhas.
Traz impresso na fronte o obscuro despotismo.
Cada olhar que se despede, acerbo e mavioso,
Parece uma expansão de amor e de egoísmo.
Friamente contempla o desespero e o gozo.
Gosta do colibri, como gosta do verme,
E cinge ao coração o belo e o monstruoso.
Para ela o colibri é, como a rola, inerme;
E caminha na terra impertubável, como
Pelo vasto areal um vasto paquiderme.
Na árvore que rebenta o seu primeiro gomo,
Vem a folha, que lento e lento se desdobra,
Depois a flor, depois o suspirado pomo.
Pois esta criatura está em toda obra:
Cresta o seio da flor e corrompe-lhe o fruto;
E é nesse destruir que suas forças dobra.
Ama de igual amor o poluto e o impoluto;
Começa e recomeça uma perpétua lida,
E sorrindo obedece ao divino estatuto.
Tu dirás que é a morte:
Eu direi que é a vida.
(Machado de Assis)
Nonsense
Ele falava. Falava sem parar.
Não que isso fosse ruim...
_ Não cara, pra você ver como são as coisas... A
mulher tinha 35 anos, 20 anos de Aidética e não tinha morrido até então; era
viciada em crack a uns 3...ou...2 anos, não sei ao certo, mas o que interessa é
isso: Ela estava viva, mesmo viciada, mesmo doente, daí sofre um acidente de
carro, feiozíssimo, e o que é que acontece? ELA SOBREVIVE! SO-BRE-VI-VE! Dá pra
acreditar? Mas não acabou cara, não não, ela quebrou as duas clavículas e, em
função disso, teve de engessar os ombros... só que teve de engessá-los curvados
para frente. Daí, os movimentos dos braços da mulher ficaram limitados e, para
não ter de ficar se movendo demais, ela não largava o cachimbo de crack, fumava
a pedra inteira de uma vez... você sabe como são os viciados... Cara, ela
morreu de overdose, com o cachimbo na mão, EM UMA SE-MA-
Ó panda
7º pecado: SOBERBA !
Por algum motivo o Homem se acha Deus. Um Deus em evolução! Aquele que cria e mata: eis os bebes de proveta, os clones e o poder de tirar a vida com o movimentar de um dedo (ó pólvora; ó armas de fogo). Aquele que está a desenvolver a onipresença! Ou seria a globalização (empresas fazendo vídeo-conferencias? Homem na lua? Wall-e?)? Aquele que pretende ser superior até da própria senhora Morte. Coitada da Morte, tendo que esperar, agora, o dobro do tempo para levar mais uma alma para o além.
Somos aqueles que nem as leis de Darwin respeitamos mais. Ó panda!
A simples Seleção Natural proposta por Charles Darwin, que explica sua teoria evolucionista, fala de forma direta que a natureza seleciona os mais fortes e aptos capazes de sobreviver, fazendo com que os recessivos desapareçam. Se você prestou bem atenção, a teoria diz que as espécies entram em extinção, desaparecem e outros desenvolvem mutações e resistências, evoluindo.
Bilhões de espécies já surgiram e desapareceram antes do surgimento do Homem, e continuará sendo assim até o fim da Terra (pois o meio está em constante transformação), AO MENOS QUE A GENTE ACHE ELES BONITINHOS e FOFINHOS.
WTF?
Analisa bem comigo: Uma espécie relativamente pequena; gorda; que mal consegue andar; que só consegue comer bambu; que precisa comer 12 horas por dia e dormir 10, pois seu metabolismo é lento, o bambu dá pouca energia e ele demorar a digerir. Uma espécie em que o macho tem o pinto pequeno, só tem uma época do ano pra reproduzir e que a cópula pode matar a fêmea devido a intensidade de sexo. Vive em uma região onde possuem muitos animais carnívoros e sua única defesa, ineficiente, é suas garras (nas patas, pra quem tiver dúvida). MAS, ELE É BONITINHO!
Sim, essa é a descrição do urso panda, aquela bolinha de pelo fofinha, que por esse fator fofura, hoje existem várias reservas com a tentativa de fazer o Panda não entrar em extinção.
Só para dizer que tem em seu planeta um animal bonitinho.
Porra, você acha mesmo que sem o Homem essa porcaria conseguiria sobreviver? Todo mundo sabe que ele está em extinção não é por causa do homem, ele é apenas o recessivo da lei de Darwin. O homem só contribui com a lei natural no começo, mas ia acontecer de todo jeito...
Até onde vai a determinação humana para alimentar sua vaidade?
O próximo passo é trazer de votla a vida os dinossáuros?
Das frivolidades nos meus bolsos vazios
Eu sei que sou repetitivo, sim,
desculpem-me os pouquíssimos que leem o que escrevo; sei que sou repetitivo e
sei também que nem o tema repetido é interessante e nem agrada a quem quer que
esteja aí do outro lado. Mas, em minha defesa, não há nada mais na minha vida
do que a falta de coisas. Não posso começar a escrever mentiras disparatadas,
falar de amores fáceis e bem resolvidos, de bocas escancaradas e cheias de
dentes donde saem risos e não gritos de desgraça, de contentamentos, enfim.
E esse é o problema mor dos
problemas existentes, se é que problemas há: a frivolidade de tudo, tudo, até dos
primordiais direitos que assistem ao homem; não sobra pedra sobre pedra dos
antigos palacetes do deleite humano. Bem, pelo menos para mim; se nada do que
leu acima chega perto da realidade do atento leitor, que me desculpe a
confidência e que passe adiante com os seus risinhos – justificadíssimos – de
escárnio causados pela minha miséria tola.
Tudo são coisas pequenas, tudo
são frivolidades. Onde é que vamos parar, posto que não já paramos, antes de
nos trazerem espelhos e virmos um mundo doente? Mas isso também é uma
frivolidade da minha parte, não sou ninguém que devia ficar a filosofar a
respeito dos rumos de todos nós; devia ocupar-me das coisas essenciais, de
estudar o bastante para poder estudar mais um pouco numa universidade, de
arrumar um diploma para ostentar num curriculum – frívolo, frívolo – e poder,
finalmente, ver-me empregado. E depois? Depois, com os salários devidos de
alguém estudado, comprar tudo aquilo que me disseram ser o meu próprio sonho.
E, quem sabe, ter um filho. Cena mais linda entre todas as cenas é essa: a
natureza, primórdio de tudo, que se multiplica! Mas o que mais se multiplica
senão as frivolidades? Não, não estou certo de que quero ser o vil
responsabilizado por colocar mais uma pessoa dentro da ilusão do tudo e na
crueza mascarada do nada.
Também não quero viver a vida dos
outros, quero viver a minha. E aí mesmo está mais uma das babaquices do mundo:
visto que todos vêm do nada e para o nada retornam (do pó vieste e ao pó
retornarás!), não há uma singela existência para cada ser miserável, há só uma,
e ela é tão chata. Não pedi para nascer, nasci; não pedi para morrer, morrerei.
Que sorte, não, que fortuna é essa, meus companheiros do nascer e morrer sem
ser perguntado?
Pós-Zumbis 2ª temporada(7)
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E a Ira desperta
O leitor sabe o que é perder um
amigo? Você, sentado ai na sua cadeira lendo estes textos mal escritos, já
sentiu a dor de perder alguém que sorriu com você, que compartilhou com você, que
chorou com você? Você já teve alguém assim que, sem mais nem menos, foi embora?
É como uma ligação que cai, só que sem chance do telefone tornar a chamar. A
dor no peito é quase dilacerante. Mas o que poucos, acho que nenhum, devem ter
visto é o amigo virar uma peneira, uma taboa de pirulitos orgânica, bem na sua
frente, alvejada incessantemente por chumbo, sons e pólvora e dor e grito e
ultimo suspiro. E Morte. E ver isso tudo sem fazer nada? Sem nem sequer dar um
passo, que você sabe ser em vão, de tentativa? Não senhor, nem os mais frios,
os mais calculistas, os mais racionais, conseguem proceder de tal forma, e não
é diferente com
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