O buraco é fundo, acabou-se o mundo

é uma roda

Tem vinho no copo e na tigela do gato. Nós dois bebemos a noite inteira. Vou empacotar minha casa e me mudar para qualquer lugar onde ninguém me conheça. O gato não. O gato vai ficar para miar no seu ouvido, vizinho. Ele está preso no pedaço de chão marcado pelas voltas da casa que vou empacotar e levar nas costas. Ali não vai ter comida nenhuma: na tigela vou deixar meus desenhos para que antes de morrer de fome o gato coma. Queria ficar só para ver que tipo de mutação vai virar. Um monstro gigante, aspecto felino draconiano escroto. Me bate uma saudade do gato, mas mato. Encontro uma magrela que gosta de fumar chá e tem o cabelo platinado que rima com os olhos azuis que rimam com as sardas artificiais que seguem a via do verso popular do fulano que ama ciclano que ama beltrano que no final não ama ninguém, pois é, as sardas artificiais não rimavam com nada. Tento explicar para ela a negritude cabal que é o buraco da saudade do gato, aquele filho da histeria de uma foda noturna que dois gatos tiveram numa laje anônima, mas o idioma dela não tem nada similar, daí me perco, caio no buraco e afinal o buraco não tem um gato no fundo, não é por ele que choro de noite, de dia, agora.
De repente, chove. A mistura da terra com pingo de chuva faz esse cheirinho gostoso que me lembra de casa. É isso que me chama de volta, porque, sinceramente, eu sou livre para rasgar a realidade quando escrevo, mas aquilo sobre levar a casa empacotada era só uma metáfora. E, olha, eu ando bem cansado dessas medidas de relacionar as coisas, vou ser cru e realista, ponto:
Volto para casa, mas o monstro que o gato tinha se tornado devorou a cidade inteira. Não resta nada. Só um buraco.
Opa.

Piscinas em casa nos fazem mais perto de deus!


                Ser-se rico... vontade de... não sei, nove entre dez viventes? Talvez de dez entre dez... não digo que é errado querer ser rico, muito menos que é errado sê-lo, seja por herança ou por conquista, embora a segunda opção traga mais prestígio aos espólios... não, ser rico deve ser bom mesmo, e que argumentem nos comentários aqueles que discordam... mas o duro são aqueles fantasiosos, aqueles que só se contentam se estiverem a viver a realidade da “minoria branca católica”, como diria o Marco Aurélio, que hoje nem é mais tão católica assim, ouso dizer; aqueles que constroem castelos no ar esperando que a loteria os premie... beira o esdrúxulo, o caricato, o jocoso, o obtuso... estas pessoas que acham que a vida só pode ser feliz de fato se tiverem piscinas de néctar e colares de ouro... casas com mais vidro que reboco; estas que, qualquer arquiteto franco dirá, no Brasil, são absolutamente pouco eficazes por não armazenarem calor no frio nem isolarem no calor; não, estas pessoas beiram os mais baixos níveis de escrúpulos sociais para alcançarem o objetivo fútil de suas vidas, viverem de compras em shopping e encontros sociais pífios, onde a pergunta mais profunda de que se tem registro nos extensos volumes da história das convenções sociais é: “nossa, este vestido é feito sob medida ou comprado em lojas?”
                Pessoas que são lembradas por quanto dinheiro têm na carteira, e não por quantas pessoas ajudaram, ou por quantas vezes se preocuparam com os problemas do mundo. Não, isso é chato, divertido é o frívolo deleite de pagar dez reais em uma xícara de café, ou quinhentos reais em uma indumentária que custou trinta para ser produzida... isso é valorizado. Alguns, destes que não são ricos, mas querem sê-lo, destes que estouram limites de cartões de crédito, destes que têm vergonha se dissermos, “ei, talvez o dinheiro não dê e a necessidade não seja tanta, não acha que é melhor poupar?”, estas pessoas são as que afundarão, e com certa satisfação minha, devo dizer. Temos de admitir que talvez a culpa não seja inteiramente delas, que a alienação deste mundo lhas tenha tragado como um leviatã, mas ainda tenho certa consternação ao presenciar tais cenas; estas pessoas são talvez piores, porque fingem ser aquilo que não são, se rebaixam ao extremo do escambo da dignidade humana para manterem um estilo de vida que não é feliz, um estilo que só me causa uma emoção, pena, talvez com uma pontada de ojeriza.
                Destas que se envolvem em relações visando apenas finanças, destas que antes de olharem o que o sujeito(a) fala, olham o carro que ele(a) dirige, destes(as) que antes de olharem o que este(a) cara fez para ser o que é, consultam sorrateiramente o extrato bancário olhando para a marca dos calçados e das vestes. Se há podridão no mundo, vejo ela ai em grande medida.
                E os ídolos? As pessoas hoje não querem saber dos intelectuais, não querem aqueles que pensaram e solveram dilemas ou interviram na história, querem admirar aqueles que moram em mansões e que têm piscinas em casa, que pilotam carros do ano, e importados; que nunca se deram ao desprazer de repetir uma roupa; estes é que são as bolas da vez. E é nisso que afundamos.
                E o pior é a ingenuidade, pois este texto não é destinado aos ricos, mas àqueles que querem viver como ricos e não o são, pois legitimamos um sistema que nos corrompe, que nos entristece e que nos escraviza na esperança de, um dia, talvez, sermos como estes ídolos de merda que preenchem as páginas das revistas e dos web sites, mas a ironia é que nunca, isso nunca vai acontecer, pois há uma gigante petrificação no sistema financeiro; quem tem dinheiro permanecerá tendo dinheiro, e um dentre um sem fim conseguirá emergir das classes (ou da classe, como diria Marx) inferiores para ascender ao status de pessoas financeiramente bem providas.
                E é disto que estas pessoas vivem, de ilusões fúteis de consumo desregrado e sem sentido, de isolamento quanto aos problemas do mundo e de isenção de culpa neles...
                E se alguém discorda, que comente. Mas que seja franco, que não concorde com o que eu disse por ser um discurso tido como politicamente correto (que sabemos, muita gente acha que é um conto de fadas) pois, como eu disse no texto de ontem, a hipocrisia é um mal, senão O mal...
                SEJA A MUDANÇA QUE VOCÊ QUER NO MUNDO.

das considerações sobre a contradição


                Por muito tempo, mais até do que se diria passível de aceitação de um ponto de vista moral, a hipocrisia reinou no mundo; a meu ver ainda reina, talvez mais disfarçada, talvez mais escrachada, mas fato é que ela ainda esta ai dentro dos nossos sapatos, e demasiado incômoda do meu ponto de vista.
Mas sempre existem aqueles contestadores dos paradigmas, aqueles que, não satisfeitos com o status quo, resolvem se por vis-à-vis a sociedade a proferir: “SIM, SOU CONTRADITÓRIO! TENHO DIREITO DE ERRAR!” e estes merecem meus mais honestos cumprimentos, pois é pela aceitação do equívoco, todos sabemos, que podemos constituir uma melhor elevação espiritual, filosófica, moral e afins. Mas, como tudo nesse mundo, há sempre um revés, um ônus, algum contrapeso, uma chateação, um dissabor, uma fatiga, uma urticária... Parece-me, e finda ai, na condição de percepção e avaliação estritamente pessoal, que esse novo argumento (que volto a dizer, congratulo) corroborou a oportunidade a alguns de simplesmente cruzarem os braços e se conformarem com a própria imperfeição, por assim dizer. “Ah, sou contraditório sim, e daí? Todos somos...” E ai encontra-se perigo dos mais graves, a aparente imutabilidade de uma situação torna-a mais e mais pétrea, de modo que, progressivamente, torna-se mais difícil alcançarmos uma solução. Uma coisa é entendermos nosso caráter humano e, por consequência, nossa eterna tendência ao erro, outra coisa é falar na maior calma, assumindo como a coisa mais natural do mundo, uma falha tão, se me permitem a metáfora, cancerígena para os nossos tempos, senão causadora... temos de considerar esta hipótese também.
                Tenho calafrios só de pensar na possibilidade de legitimarmos a livre prática e aceitação da contradição. Ora, somos racionais, temos plena condição de pensarmos adiante e, assim, pelo simples PENSAR, fazermos de nossa índole algo mais crível, algo menos abstrato e falacioso. Esse discurso da banalização dos diversos preconceitos, dos diversos contracensos entre fala e ato, são coisas que, na grande maioria dos casos, se não intencionais, ocorrem por simples falta de reflexão, as pessoas querem tanto provar-se detentoras de algum tipo de ideologia, ou mesmo de senso estético ou crítico, que adotam estereótipos e discursos empacotados sem ao menos refletirem em como aquele discurso pode não lhas representar de fato. E, para além disso, os inúmeros discursos pautados em valores e morais e éticos que, no fundo, não são, em verdade, pensares do interlocutor, apenas coisas ditas sem vontade ou propósito, paliativos para a conformidade do espírito, este que, no fundo, queria era a vida fútil e burguesa dos pop stars e destas pessoas ricas que, em grande parte, não moveram um dedo para merecerem a vida que tê, este que é o espírito do homem? Esta é sua vontade?
                Prossigamos... há discursos falaciosos em demasia, solilóquios sobre os problemas da Terra e sobre como o mundo seria melhor se isso ou aquilo, e estes me causam repulsa quando vêm de pessoas que sabe-se quererem é piscinas de ouro e Bourbon ... alguns enchem a boca para maldizerem isso ou aquilo, a cultura pop e as massas alienadas, a convulsão por dinheiro e a falta de ética, mas estão com o dedo em riste a tanto tempo que parecem não ter dimensão da tamanha trave que cega seus olhos, parafraseando nosso ilustríssimo Jesus.
                Mas é isso, eu já até disse em algum texto anterior, não me lembro qual... quando falamos de contradição e hipocrisia, escusado seria citar a humanidade como exemplo máximo e ideal para a argumentação...

A Globo não é a vilã da novela


            Andam querendo que o elefante toque cítara.

Essa é a analogia que me vem à cabeça quando vejo gente dizendo “ridículo, jornal nacional faz reportagem sobre Luísa, que tá no Canadá, em vez de falar da greve das universidades!”.

Calma lá, pessoal. A verdade é que esse jornalismo de televisão, ou qualquer outro que seja de massa, segue estritamente as leis de Adam Smith: onde há procura faremos oferta. Não que os outros meios sejam independentes e publiquem o que lhes atinar. Mas estes nacionais, estes que antecedem a novela falam aquilo que pode gerar algum interesse no espectador e ponto. A Sra. X, que assiste à novela das oito, quer saber que Dilma foi à China e que Dilma foi eleita a terceira mais poderosa mulher do planeta, e não que Dilma trata com mão de ferro e como madrasta má os sindicatos (filhotes de Lula).


A Globo - eu reitero, contendo minha vontade de escrever em letras capitais – não é a vilã da novela. A Globo não é a culpada, não é a responsável, não é a causa última de todos os problemas da tua vida. A Globo não te obrigou a reeleger Sarney, Collor e Maluf. A Globo não te obrigou a ver mais novelas do que ler livros. A Globo não tem poder de absolver réu do mensalão – por enquanto. A Globo é um império podre construído sobre a capacidade que as pessoas têm de aceitar de bom grado quando lhe passam migalhas de merda pelo vão da porta.

Tudo bem, há aí toda a questão de ser mídia formadora de concepções e mentalidades. Mas eu embarcaria isso tudo em algo chamado ‘influência’, e não ‘determinação’, como alguns querem. A programação enlatada e cheia de repetidas cagadas e atrocidades está lá para ser assistida (ou não, pois, acredite, há quem não assista/viva Globo), interpretada, processada e utilizada como convir para cada um. E que cada um conclua por si próprio o que quiser.

A porra do seu televisor tem a opção de mudar o canal, tem um botão de mudo e outro para desligamento; a porra do seu televisor pode ser desligado da tomada.

Esse é o mundo da televisão. E deixe-me dar uma dica, jovem padawan, não dê audiência àquilo que não concorda. É assim que funciona. Simples, não?

Desafio "Narrativa Retalhada" - Parte 5/5 II

Segundo pedaço do finale da estória de Grégore Trévor.
Para ler os anteriores, clique bem aqui.
Esse é só o fim.

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O final de Grégore Trévor, segunda parte

“Matá-los todos? Vocês acham que sou o quê, seus imbecis? Nem eu sei o que eu sou, pra falar a verdade. Vai ver sou mesmo a merda de um marciano. E pistoleiro ainda por cima!”
As pessoas, comendo como animais aqueles sanduiches gordurosos, me lançavam olhares alarmados e furtivos. Uma coisa que me dissera aquele sujeito, apesar do absurdo que representava, fazia sentido: eu sentia que não fazia parte daquilo tudo a minha volta. Cabeças se viraram em minha direção quando elevei minha voz.
“Quem? Por quê? E por que eu?”
“Como dissemos antes, você é de outro mundo” disse em tom de fatigada sapiência aquele mais falante. “Não um outro planeta, nada assim, não físico. Mas de alguma coisa como um universo paralelo; aquele em que habitam as nossas mentes. Isso é só uma teoria, mas achamos que você é a manifestação de todos os nossos ideais, só não teve tempo para tomar consciência deles ainda”.
“E o Eugênio? Ele me disse que vocês eram canalhas e que fizeram mal a toda aquela gente”. Eu tentava me agarrar a qualquer pedaço de argumentação lógica em que pudesse colocar as mãos. “E que ainda por cima roubaram seu machado!”.
“O Eugênio...” começou o de óculos outra vez, “Ele é uma figura quase mitológica. Há muitos anos viaja entre essas duas dimensões. Pessoas mais sensíveis - gênios até, eu diria - notaram sua presença deslocada e tentaram nos avisar”.
“Não roubamos o seu machado”, atravessou o cara alto, “ Ele nos foi dado. Por alguém que veio a nós numa nave. Não convém falar sobre isso agora. Só convém dizer que ele nos foi dado para que o usássemos da maneira correta”.
“A maneira correta é você!” disse o oriental, tão subitamente que assustou até os seus companheiros e quase me fez saltar da cadeira.
Nesse momento, uma comoção estranha pareceu tomar conta do lugar. Perto da porta concentrava-se um número grande de pessoas. Algumas gritavam, outras exclamavam sua surpresa com pequenos e patéticos Oh’s. Foi quando irrompeu da porta um sujeito pachorrento, vestido com grossos roupões, joias, uma coroa e até um cetro; gordo, com farta papada, bochechas murchas e lábios cheios caídos. Logo depois um homem numa pesada batina negra apareceu. Seguido por um rapaz moreno de camisa verde e amarela e cabelo ridiculamente queimado. E, por último, com um sorriso sádico no rosto, um velho com uma cartola branca decorada com uma faixa azul com estrelas brancas, um casaco azul e gravata borboleta vermelha.
“Não temos mais tempo. Já chegou a hora” disse o de óculos. E, de uma bolsa de couro preto que esteve numa cadeira esquecida por todo esse tempo, tirou um objeto de cabo comprido, brilhante e belamente ornamentado. “Faça aquilo que deve ser feito. Acabe com os símbolos do que repudiamos e estará livre!”.
“Dom João VI!... Padre Marcelo Rossi!... Neymar!... Tio Sam!...!” gritou algum incógnito, exclamando o óbvio.

Aff, esse off ou: o problema do off à nação brasileira...


                Não ouso dizer que sou grande entendedor da língua portuguesa, mas acho que este, o entendimento acerca da nossa língua, deveria ser, além de mister, valorizado. É fato, a grande maioria não valoriza o português bem escrito e falado; e não falo dos que não têm condições de aprendê-lo, por fatores como carência financeira ou ensino deficiente; mesmo aqueles que estudam na mais refinada das instituições de ensino negligenciam o saber concernente à língua, para não falar do conhecimento em geral. Mas enfim, nos raros momentos em que se requisita um  português correto, a grande maioria trata isso como apenas mais um ponto curricular, sem importâncias maiores, sem o sabor de um saber que é tão importante: A habilidade de se expressar com palavras precisas, e não meio-sinônimos que meio-dizem aquilo que você gostaria de dizer. Não, ninguém liga.
                Claro que é um caso enfadonho de citar, uma vez que se trata de um ambiente onde a linguagem tem de ser rápida e diminuta, mas as redes sociais são uma amostra atroz do sacrilégio diário sofrido por nossa língua, e não falo de abreviações esdruxulas ou aumentos inexplicáveis (acho válida a troca do “não” pelo “ñ”, mas por “naum” é, além de sem sentido, sofrido), pois estes pode-se alegar como uma nova codificação ou coisa similar, falo da pontuação mesmo: O Facebook nos mostra que a grande parte de seus usuários nunca aprendeu o uso da vírgula, ou do ponto final, e nunca viu um ponto e vírgula na vida...
               Mas estes parágrafos iniciais são só o que considero um dos leitmotivs para o fenômeno que pretendo abordar neste texto. Falo do já tão comentado estrangeirismo, que me aparece cada vez mais forte, e coloco aparece por não saber ao certo se foi ele que aumentou ou se fui eu que passei a olhar mais para isso. Mas sigamos, o problema existe e está ai. E sim, trato como problema, não como simples fenômeno. Problema por contribuir com a cada vez mais abstrata identidade nacional, que, como todos sabem, começa na língua, basta buscar os antropólogos que estes explicarão. Tudo que você entende como cultura começa pela língua e se transmite por ela, então já temos ai um mal irreparável, o de termos como língua pátria a língua dos colonizadores, mas a partir dela fundamos nos traços culturais, estes que mixam tantos outros, e através dela conseguimos fundamentar e transmitir a hoje tão vaga noção do “Ser Brasileiro”. E cada vez menos sabemos o que é isso, não sabemos o que é uma identidade com a terra ou com o povo que nos cerca enquanto comuns de uma mesma nação.
                Pense, a perda da identidade nacional não é apenas a perda de particularidades culturais, fato que já acontece em certa medida pela mundialização de mercadorias, entretenimento e demais artefatos. É também a perda de um sentimento de comunidade, que, para mim, justifica EM CERTA MEDIDA, a nossa apatia com relação a qualquer posicionamento frente a crises políticas e mesmo em relação à corrupção, pensem: a identidade está tão perdida que o político não pensa, estou roubando meu povo, o povo brasileiro, ele simplesmente está dando uma de esperto porque qualquer um o faria no seu lugar (o exemplo é fraco, mas serve ao propósito). Ou mesmo isso, a nossa falta de identidade pátria nos desmotiva frente a qualquer manifestação em prol de uma melhoria geral, pois não enxergamos uma melhoria nacional como uma melhoria pessoal, uma vez que não nos vemos inseridos em uma comunidade pátria.
                O que para mim só piora quando, já tendo um histórico de desvalorização da língua, a impregnamos com estrangeirismos diversos, principalmente do inglês, algo que advém da hegemonia norte-americana, e ai pode até se justificar em uma certa medida, mas não nos sujeitemos a isso! Se espanhóis, portugueses, argentinos e diversas outras nações não o fazem, porque nós o fazemos? E o pior é que, fosse apenas para palavras para as quais ainda não há correspondente em nossa língua, seria até compreensível, mas agora enveredamos em uma onda de trocar tudo. Já não bastavam os termos da tecnologia (como mouse no lugar de rato; e se acha a troca absurda, saiba que espanhóis e portugueses lha fazem), agora vemos OPEN na porta de comércios, OFF ao invés de desconto, WELCOME... por deus, na avenida Anhanguera, na faixa exclusiva para ônibus temos um enorme BUS, como disse meu antigo professor de história, ilustre Marcelino: "poderiam ter colocado BUSU, mas não BUS!"... mas enfim... este texto dificilmente mudará alguma coisa, escrevê-lo serve para nada senão desabafo, mas assim ficamos, no desabafo...